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Quem São os Legendários de Bom Despacho?

Se você não sabe quem são os legendários, está na hora de saber.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 16/11/2025 15:07
Quem São os Legendários de Bom Despacho?
O vereador João Eduardo quer homenager os legendários de Bom Despacho com seu próprio dia. Quantos deles há em Bom Despacho? Dois? Três?

O vereador João Eduardo conseguiu aprovar um projeto de lei que cria o Dia do Legionário em Bom Despacho. Trata-se de uma lei inócua, mas sua aprovação mostra bem a falta de assunto e de bom senso dos nossos vereadores. Primeiro, pela irrelevância numérica do grupo. De acordo com as páginas da organização, eles são 52 mil no mundo e 10 mil no Brasil. Eles não dizem quantos são em Bom Despacho, mas devem ser dois ou três.

Qual o sentido de fazer uma homenagem desta a um grupo tão restrito? E mais: tão novo? Afinal, a entidade foi criada em 2015. Se é para homenagear, os vereadores poderiam ao menos ter o cuidado de homenagear grupos, pessoas e entidades que estão aí há longo tempo, prestando serviços sociais relevantes.

Por exemplo, os maçons existem há muitos séculos, e estão em Bom Despacho desde sempre. São centenas. E há muito prestam serviços à coletividade.

Da mesma forma, rotarianos e leões, aqui estão e prestam serviços há muitas décadas. Há os escoteiros, há a Metástase do Amor. Há os comerciários, os cooperados e os trabalhadores rurais.  Os reinadeiros carregam nossas tradições nas costas. Há os vicentinos, as irmãs da caridade.

Enfim, estamos falando de organizações civis que prestam relevantes serviços à comunidade. Nenhuma, de autopromoção ou com fins comerciais, como estes Legendários. Nenhuma delas, porém, chamou a atenção do vereador João Eduardo e seus pares. Por quê?

Adoradores de testosterona

Os legendários nasceram na Guatemala. Seu objetivo, aparentemente, é gerar dinheiro para alguns mediante a promoção do machismo, usando o nome de Cristo. Suas atividades se destinam a mostrar força física. O bezerro de ouro deles é a testosterona. Eles reúnem um bando de homens física e mentalmente despreparadas para exercícios físicos e os submetem a um regime de fome, sede e noites mal dormidas. Daí vem a exaustão, e não raramente a morte. Esta exaustão ocorre por falta de preparo, e não porque os feitos são grandiosos. Mas, eles entendem que é uma boa prova de machismo.

Eu me pergunto se Deus anda em busca de provas de machismo.

A imagem ao lado mostra o apreço que os legendários têm pela deusa testosterona, o hormônio que simboliza a força do macho. Fazem isto – dizem – em nome do cristianismo. 

Quanto à ousadia de misturar testosterona e cristianismo, parece um paradoxo. Afinal, Cristo abençoava os mansos de coração, não os machões.

Quando aos supostos esforços heroicos que os legendários fazem, são risíveis. São tão despreparados fisicamente, que se extenuam, caem – e alguns morrem – quando têm que subir a Ladeira do Amendoim ou subir num cupinzeiro.

Quando eles se desmancham de cansaço devido ao despreparo, acham que venceram uma enorme tarefa mediante esforço sobre-humano. 

Comparado com desafios enfrentados por atletas, o que os Legendários fazem parece brincadeira de criança. O que faz a diferença é que os atletas treinam durante muitos meses e até por anos. Atletas também fazem muitos cursos sobre conservação da saúde, nutrição, primeiros socorros, autorresgate, sobrevivência em condições extremas. Já os legendários, em sua maioria gordos, sem preparo físico e sem instrução adequada, aceitam o desafio de comer pouco, dormir pouco, e fazer esforços além do seu preparo.

Em consequência, ficam doentes e alguns morrem. É o caso, por exemplo, de Rodrigo Nunes de Oliveira, de 40 anos, que teve um ataque convulsivo em Rondonópolis e morreu. Ou Fábio Adriano Machado Cherini, de 44 anos, que morreu na região do Rio Negro, no Mato Grosso. Ambos haviam aceitado o desafio TOP (Track Outdoor Potential).

Qualquer pessoa está sujeita a morrer a qualquer momento. Todo atleta aventureiro sabe os riscos que corre. Mas, quando um bando despreparado é levado para o meio do mato e submetido a fome, sede, noite mal dormida e exaustão física, é um caso de temeridade, não de diversão ou evolução espiritual. É uma forma muito arriscada de mostrar testosterona. 

Mina de ouro 

Os legionários têm, duas fontes de renda: as taxas que cobram daqueles que participam dos encontros, e os materiais que vendem para a preço de ouro.

Agora, o mais interessante é que, esta atividade nitidamente argentária, inspirada em corridas de aventura e em coaches que amealham fortunas prometendo conquistas e riquezas terrenas (além da testosterona!), é sempre feita em nome de Cristo e da família.

O que Cristo e a família têm a ver com isto, é difícil de entender.

Jesus disse: Vocês não podem servir a Deus e a Mamom [Dinheiro]" – Mateus 6:24; Lucas 16:13.

Os legionários bem que poderiam usar o dinheiro que dispendem, a energia que gastam e o tempo que consoem, ajudando os necessitados ou prestando serviços sociais. Como fazem os maçons, os vicentinos, os rotarianos, os leões e tantos grupos que fazem trabalhos voluntários. 

Bom Despacho sairia ganhando. E um projeto de lei que dedicasse um dia a homenagear a todos que prestam serviços voluntários seria um projeto de lei a ser aplaudido de pé.

NOTA IMPORTANTE: Este artigo não é um manifesto contra aventureiros, exercícios exaustivos, desafios. Muito menos, contra exercícios físicos. Tudo isto é bom, anima e enriquece a vida. O que não se pode apoiar são ações que submetem pessoas despreparadas a graves riscos, em homenagem na Mamon, usando o nome de Cristo e da família.  Pode-se apoiar, menos ainda, que umas poucas pessoas, sem nenhuma representatividade em Bom Despacho, ganhem um dia dedicado a eles, em detrimento de dezenas de antigas organizações que não recebem nenhuma atenção do Poder Legislativo.

Leia também:FeBeAPá de BD

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Comentários (2)

Anônimo
Anônimo
01/03/2026 10:08

Estes caras são um boçais.

Anônimo
Anônimo
01/03/2026 10:09

E põe boçal nisto.