Na noite de ontem (20/11) o presidente americano, Donaldo Trump, anunciou a redução para zero das tarifas de carne, café e outros produtos brasileiros. Estes produtos, como centenas de outros anteriormente excluídos, voltam a ter tarifa zero.
Bom para o exportador brasileiro
Esta redução é boa principalmente para o exportador brasileiro. A carne brasileira e os demais produtos com tarifa zero ganham competitividade com relação aos produtos de outros países. Com isto, os americanos passarão a consumir mais produtos do Brasil.
Bom para o consumidor americano
As tarifas impostas que governo Trump representam enorme custo para o cidadão americano. Para se ter uma ideia, imagine uma tarifa de 50% sobre a carne. Um pedaço de carne que antes custava 50 dólares (aproximadamente R$ 266,50 na cotação de hoje), estava custando 75 dólares (aproximadamente R$ 399,75).
O famoso hambúrguer americano (bife de carne moída) voltará à mesa da classe média.
O que é a tarifa
A tarifa é um imposto de importação. É uma taxa que os governos impõem a certos produtos estrangeiros para torná-lo mais caro para a população. Historicamente, isto é feito para favorecer o produtor local. Por exemplo, se a Argentina está vendendo leite muito barato para o Brasil, o governo pode impor uma tarifa para torná-lo mais caro para o consumidor brasileiro. Com isto, o consumidor brasileiro preferirá comprar leite produzido no Brasil.
Portanto, a tarifa é, essencialmente, um mecanismo para proteger o produtor nacional.
Tarifa e política
Trump, pela primeira vez na história, usou as tarifas como uma medida política, e não econômica. Usou-a para atrapalhar a vida de governos estrangeiros, e não para favorecer os produtores locais. As consequências têm sido ruins para o povo americano. Lá, os produtos importados do Brasil, como mel, carne, suco de laranja, café, aviões, estavam ficando mais caros.
Alguns produtos não estavam apenas mais caros, mas desaparecendo. Os Estados Unidos não têm como produzir café, por exemplo. As tarifas jamais ajudarão o produtor local, pois ele não existe. Assim, as tarifas servem apenas para encarecer a cesta de alimentos e incomodar governos estrangeiros.
Quem paga as tarifas?
Uma narrativa curiosa que surgiu foi a de que o governo estrangeiro, ou o produtor estrangeiro, pagaria as tarifas impostas por Trump. Esta é uma ideia tão estapafúrdia, que é impossível imaginar como alguém pode ter pensado nisto. Ou acreditado nisto.
A verdade é que as tarifas são sempre pagas pelo consumidor local, jamais pelo fornecedor estrangeiro. O importador local paga a tarifa ao governo local. Para compensar, aumenta o preço para o consumidor local. Em consequência, os preços sobem e a inflação aumenta.
É o que estava acontecendo nos Estados Unidos: as tarifas aplicadas contra o Brasil estavam aumentando a inflação lá, tornando a carne e o café mais caros, e fazendo com que os americanos pagassem três vezes: uma vez em dinheiro, outra vez em inflação, e outra vez na falta do alimento.
Exportador não paga tarifa
O país exportador – no caso, o Brasil – não paga as tarifas. Quem as paga é o consumidor americano. O preço que o Brasil poderia pagar seria em desemprego e perda de produção. No caso das tarifas políticas que Trump havia imposto ao Brasil, as perdas existiram, mas foram bem menores do que inicialmente previsto. Produtos nobres, como carne e café, podem ser exportados para outros países. E foram. Alguns produtos de nicho, como mel, são mais problemáticos. Ainda mais que são produzidos por pequenos produtores, sem poder de barganha. Este sofreram um pouco mais.
Vitória do Governo Lula
A retirada das tarifas representa uma vitória do Governo Lula e da realidade. Da realidade, porque as consequências das tarifas eram previsíveis e sabidamente ruins para o povo americano e para a popularidade do Governo Trump. O Governo Lula, porque, em vez de entrar em pânico e baixar a cabeça, foi para as mesas de negociação com paciência, humildade, boa disposição e a certeza de que estava do lado certo dos fatos econômicos.
Esta vitória não é definitiva. Nunca é. Mas foi uma grande vitória da nossa diplomacia e da posição equilibrada e paciente que o Governo Lula adotou.
Ainda há alguns produtos tarifados, mas são produtos de nicho. A tarifação deles tem pouca importância para a economia brasileira. Os produtos de maior valor, como carne, café, alumínio e aviões jã não são taxados.