A pretexto de combater um ato terrorista de que foi vítima, os sionistas desfecharam um novo holocausto contra os palestinos. Nada foi poupado: escolas, templos, hospitais, mulheres, crianças, idosos. Além da destruição geral da infraestrutura, De propósito, a propaganda sionista fez muitos acreditarem que Hamas é o mesmo que palestino.
Na verdade, palestino é um povo, uma nação; Hamas é um grupo de foras da lei. Inclusive, é bom que se diga, formado e armado pelos sionistas.
Confundir palestino com Hamas é o mesmo que confundir brasileiro com membro do PCC.
Sim, os membros do PCC, em sua maioria, são brasileiros. Mas eles são alguns milhares, os brasileiros são muitos milhões. Da mesma forma, os palestinos são alguns milhões, enquanto os membros do Hamas são poucos milhares. É bem verdade que não se sabe o número exato de membros do PCC, assim como não se sabe o número de membros do Hamas. São organizações clandestinas. É impossível saber com certeza. Mas, mesmo as agências mais anti Hamas têm estimativas que não chegam a 30 mil. O consenso está em torno de 20 mil. No entanto, os mortos nos ataques sionistas passam de 70 mil.
Para se ter ideia do tamanho deste horror, para manter a proporção, no Brasil seria equivalente a matar 750 mil pessoas inocentes porque o PCC também assassinou alguns inocentes! Esta é uma retribuição que não faz sentido no mundo civilizado. É vingança sangrenta, não é reação a um ataque terrorista.
Encruzilhada de Lula
Lula sempre se posicionou com clareza contra este morticínio. Agora, o convite de Trump o coloca numa aporia. De um lado, ele deve sentir que é sua obrigação de país solidário, contribuir para amenizar o mais rapidamente possível o sofrimento dos palestinos inocentes. Do outro lado, ele deve sentir os perigos que há em entrar numa empreitada como esta.
Para começar, há as bruscas mudanças de humor de Trump. Ele não dá rumo certo. Vacila. Avança e rua. Muda de ideia como quem troca de roupa. Isto é um problema para qualquer um que queira fazer aliança ou colaborar com ele.
Depois, o plano não está delineado. Não se sabe exatamente o que ele propõe para Gaza. Não há definição de quais países participação, quais os custos envolvidos, quais as etapas. É tudo muito vago.
Além disto, Lula sempre defendeu o multilateralismo e o papel da ONU na solução de conflitos e na proteção dos povos. Poderá a ONU ser colocada de lado nesta reconstrução? Esta é outra dúvida que deverá pesar na decisão de Lula. O mundo seria muito prejudicado com a perda de importância da ONU na resolução de conflitos e no apoio às vítimas de agressões internacionais.
Opinião
No final, e com todas as cautelas necessárias, Lula provavelmente aceitará participar. Assim como o Brasil, com Oswaldo Aranha, teve um papel relevante na criação do Estado de israel, Lula pode ter um papel relevante na reconstrução da nação Palestina.
Saberemos nos próximos dias.
Seja como for, o convite de Trump mostra que ele considera o Brasil um país importante no cenário mundial.