Alerta

Ministro Toffoli corre com o caso Master. Isto significa o quê?

Após avocar para si o processo do Banco Master, o Min. Toffoli tomou decisões até aqui inexplicáveis

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 21/01/2026 10:29
Ministro Toffoli corre com o caso Master. Isto significa o quê?
Em poucas semanas com a relatria do caso Banco Master, o Min. Toffoli conseguiu levantar dúvidas sobre sua isenção e botou gasolina nas discussões sobre os envolvidos

A desconfiança geral é de que os mais R$ 60 bilhões de prejuízo causado pelo Banco Master vão muito além da trapaça e da gestão temerária. Há muitas alegações, e alguns indícios, do envolvimento de senadores, deputados e governadores no trambique arrasa-quarteirão. Há também insinuações de envolvimento de ministros do STF, especialmente do próprio Min. Toffoli. Alega-se que seus irmãos venderam resort (um híbrido de hotel e clube) para fundos ligados ao Banco Master e a advogados dos irmãos Batistas e à JBS. Enfim, há muitos rumores, variados indícios, e coincidências que mexem com a curiosidade de todos. O comportamento do Ministro Dias Toffoli tem colocado combustível nesta sopa de suspeitas.

Tudo começa quando os advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recorreram ao STF pedindo que a corte suprema assumisse o caso. Este comportamento é incomum, porque, normalmente, a defesa prefere que o julgamento comece no primeiro grau. Isto faz sentido, pois os réus terão várias oportunidades de se defenderem. Talvez em quatro instâncias diferentes, como primeiro grau, segundo grau, STJ e STF.

Esta caminhada do primeiro grau ao STF costuma ser longa. Dura anos. Tudo que pode acontecer nestes anos favorece a defesa. Por que, então, saltar todas as etapas e chegar logo ao ponto que não oferece mais recursos em caso de perda?

Em tese, esta não é uma boa técnica da defesa. Mas, como os advogados são competentes, é provável que tenham tido boas razões para saltar as demais chances de defesas e chegarem logo para o topo da pirâmide.

Avocação

A jogada da defesa (quaisquer que sejam suas intenções), deu certo. O Min. Toffoli chamou o processo para si. O processo subiu de elevador expresso para o ponto mais alto. Esta foi a segunda e mais importante vitória da defesa. A primeira foi ter conseguido tirar Vorcaro da cadeia, onde estava, após tentar fugir para Dubai.

Carona com Advogado dos réus

Tão logo assumiu a relatoria do caso Master, Toffoli pegou carona num jatinho para assistir a um jogo de futebol. No avião, com ele, estava o advogado de Daniel Vorcaro. Pode ter sido coincidência. Pode não ter sido. O ministro pode ter caído numa cilada. Ou pode ter escolhido ouvir o advogado num voo privado. Não há como saber.

Decretação de sigilo

O primeiro ato de Toffoli após avocar o processo, foi colocá-lo sob segredo de justiça. Esta é uma medida cuja razão até hoje não se conhece e não se entende. Talvez haja mesmo nos autos algo que justifique a decisão, mas até aqui, ninguém que está de fora consegue atinar qual seja.

As informações contidas no processo, que interessam ao Brasil inteiro, estão desde então guardadas sob sete chaves. Estranhamente, mesmo a Polícia Federal, que conduziu as investigações, está manietada.

Quebra de praxe

Em seguida, quebrando qualquer rotina que se possa chamar de normal, Toffoli determinou a acareação de alguns envolvidos no caso. No entanto, na fase em que o inquérito se encontrava, não fazia sentido acarear os envolvidos. Além disto, nesta fase, quem decide por acareações, e as faz, é a polícia, não o judiciário.

Ainda no que diz respeito à acareação, foi muito estranho o ministro ter envolvido um servidor do Banco Central como acareado. Naquelas alturas (e até aqui), isto não faz sentido. O servidor não era (e não é) acusado. Além disto, não havia sido ouvido pela PF. Acarear o quê?

Enfim...

Constrangimento da PF e do BACEN

Em seguida, o Ministro causou vários constrangimentos à Polícia Federal. Para começar, determinou que todos os documentos e objetos que ela recolheu em operações de busca e apreensão fossem lacrados e entregues ao STF. Isto não faz sentido sob nenhum ponto de vista.

Depois, determinou que carros e outros objetos fossem entregues à PF, mas que celulares e documentos fossem entregues à PGR. Isto não é apenas incomum; isto não faz sentido. Primeiro, porque a PF não é guardadora de carros. Ela é um órgão investigativo. Segundo, porque a PGR não tem pessoal e equipamento para fazer análise de celular e de outras provas. Nem é este o papel dela. Quem faz isto é a PF.

Criticado por estas medidas, o Ministro piorou as coisas, permitindo que a PF executasse a perícia, mas sob a vigilância da PGR, e somente por cinco peritos cujos nomes ele mesmo indicou. Foi uma decisão incomum, desrespeitoso e esquisita.

CPMI e Alcolumbre

Como o Master e fundos ligados a ele estão envolvidos no desvio de dinheiro dos velhinhos, a CPMI pediu cópia de documentos do inquérito. O Min. Toffoli negou. Porém, pressionado, abriu uma exceção: as provas poderiam ser examinadas pessoalmente pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Outra coisa que não faz sentido. Por um lado, porque quem detém poderes investigatórios é a CPMI, não o Presidente do Congresso. Segundo, porque já houve boatos de que Alcolumbre tem algum tipo de ligação com os investigados. Seria melhor ser cauteloso aqui.

Toffoli e seus irmãos

Existe um emaranhado de relações envolvendo dois irmãos e um primo de Toffoli na venda do resort Tayayá, a advogados do grupo JBS, e pessoas e fundos ligados ao Banco Master. Em especial, o fundo Reag, também liquidado por trambiques.

Este emaranhado de relações não prova irregularidades, mas demanda cautela e exige apuração. Neste ponto surge a necessidade de o relator Toffoli consultar sua consciência e decidir se é, ou não, caso de se declarar suspeito.

Até aqui, porém, não o fez.

Coincidências e mais coincidências

Coincidências acontecem, e não provam nada. No entanto, quando elas se acumulam, uma após outra, e quando elas se harmonizam com decisões tomadas pelo relator, as orelhas ficam de pé. É o caso destas transações envolvendo os irmãos de Toffoli. Eles são empreendedores, têm um patrimônio e podem dele dispor como quiserem. O fato, em si, de a propriedade ter sido comprada por pessoas ligadas ao grupo JBS, ao fundo Reag, ou ao Banco Master, não significa que os irmãos de Toffoli tenham cometido irregularidades. Pode ser apenas mais uma coincidência.

Além do mais, o grupo JBS declarou quem nem as empresas, nem seus sócios, têm ligação com estes negócios. Em princípio, falam a verdade. Mas isto não afasta as causas para uma apuração mais cuidadosa.

STF cogitou afastar Toffoli da relatoria?

Em Brasília e na imprensa nacional circulou o rumor de que o Min. Fachin, presidente do STF, cogitou afastar Toffoli da relatória do caso. No final, teria decidido que, se o fizesse, o desgaste para o STF poderia ser maior ainda.

Portanto, aparentemente, Toffoli continua à frente do inquérito, a despeito de todas as curiosidades e coincidências que aconteceram até qui.

Próximos passos

Ao longo do inquérito policial, quem será ouvido, em qual ordem, e em que data, é decisão que cabe ao delegado tomar. No entanto, neste caso cheio de coisas esquisitas, Toffoli tomou a iniciativa, e determinou que oito pessoas sejam ouvidas nos dias 26 e 27 de janeiro. Este tipo de interferência do magistrado no andamento do inquérito policial é algo incomum. Aliás, mais uma coisa incomum, entre tantas que já ocorreram até aqui.

Somando a tudo isto, há esta aparente pressa do Ministro Toffoli, que vai atropelando a PGR e a PF. Nunca se viu um ministro tentar liquidar um assunto com tanta pressa. Talvez seja bom. Talvez seja a inauguração de uma nova era, em que a justiça não seja tão lenta como costuma ser.

De qualquer maneira, o que se espera é que, no final, os autos revelem que Toffoli tinha boas razões para tomar todas as decisões inusitadas que tomou. Se elas não aparecerem, será um grande constrangimento para ele e para o STF.

Liquidação do Banco Will

Hoje, dia 21, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, outra fintech ligada ao Banco Master. Desta forma, vê-se que continua crescendo o prejuízo para a população, para o fundo garantidor de crédito e para o sistema bancário brasileiro.

Ainda mais que o Will Bank voltava seus olhos para as carteiras dos mais pobres e vulneráveis, especialmente no Nordeste.

Passar tudo isto a limpo está nas mãos do Ministro Toffoli. Quem acompanha, aguarda com desconfiança.

 
 

 

 

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