A história da substituição dos alimentos naturais, ou minimamente processados (comida de verdade), por processados ou ultraprocessados se iniciou com a transformação de resíduos problemáticos (semente de algodão) em óleo supostamente comestível. Paralelamente, aumentou o consumo de açúcar e farinhas refinadas. (Clique aqui e leia: o ovo é herói da nutrição)
Esta combinação de óleo barato, com farinhas branqueadas e refinadas, temperada com açúcar e umas pitadas de sal se tornou um material comestível quase irresistível. Aos poucos, foi tirando das mesas, as comidas de verdade. O resultado foi um desastre para a humanidade.
Na década de 1930, um dentista americano (Weston Price) viajou pelos continentes relacionando as cáries dentárias e a formação da arcada com o consumo de alimentos industrializados. As descobertas foram impressionantes: nos locais onde os alimentos industrializados não haviam chegado (nativos de todos os continentes, inuits, camponeses dos interiores longínquos), as cáries eram raríssimas. As más formações de arcada, como dentes encavalados, eram inexistentes. Contudo, o número de cáries e de más formações aumentavam em proporção direta com a chega dos alimentos industrializados.
Mas, duas forças tornaram os industrializados quase inevitáveis: a facilidade de armazenamento e consumo, e a propaganda intensa, promovida pelos fabricantes. Até o leite materno, o alimento mais precioso que um bebê pode receber, foi substituído por leite em pó adulterado e papinhas ultraprocessadas. Um crime contra as gerações futuras.
Mas, não parou por aí. Para fomentar a demanda pelos industrializados, a indústria contratou cientistas (ou pseudo-cientistas) para falsificar pesquisas e publicar "estudos" que mostrariam as virtudes dos industrializados e os defeitos dos alimentos naturais.
Alimentos condenados
Às custas de dinheiro, os melhores alimentos que a humanidade já conheceu, foram condenados. Carne de vaca, carne de porco, banha, ovo, queijo, manteiga, grãos integrais minimamente processados (apenas cozidos). No lugar deles, entraram margarina (óleo vegetal hidrogenado), bolachas, balas, refrigerantes, concentrados, corantes, edulcorantes, adoçantes, xaropes. Em suma: industrializados, altamente refinados.
Evolução das doenças crônicas
País por país, década por década, há uma correlação estreita entre estes alimentos industrializados e as doenças mais mortais da atualidade: os cânceres, as doenças cardiovasculares, as alergias, a constelação de doenças metabólicas e autoimunes.
Com a alimentação industrializada, a obesidade atingiu taxas alarmantes. Somando os obesos àqueles que têm excesso de pelo, a doença atinge 70% da população americana. No Brasil, 31% estão oficialmente obesos e 37% estão com excesso de peso.
Embora os dados não sejam precisos, com base em recrutamento militar, observações em hospitais, filmes e fotografias da época, calcula-se que, em 1900, o excesso de peso atingia em torno de 2% da população nos países mais ricos. Nos países pobres, era praticamente inexistente.
Agora, se fizermos um gráfico do crescimento do consumo de produtos industrializados (refinados) nos últimos 130 anos, e o colocarmos lado a lado com o gráfico do aumento dos cânceres, hipertensão, doenças cardiovasculares e outras, as duas curvas sobem de forma paralela.
Mais destacado ainda: existe uma relação direta, clara e constante entre o consumo das substâncias refinadas e o diabete tipo II.
A inversão da pirâmide
A inversão da pirâmide pelo governo americano vai causar muito choro e ranger de dentes entre os médicos e os nutricionistas tradicionais. Afinal, estão receitando há décadas, o que agora passou a ser considerado errado. Para uma minoria que sempre considerou a pirâmide antiga errada, será uma vitória.
Interessante que, a única coisa comum entre as duas pirâmides é que ambas condenam o uso de açúcar. No entanto, isto nunca foi efetivado. O lobby das indústrias de açúcar, xarope de milho e refrigerantes é forte no mundo inteiro. Eles estão entre aqueles que pagam médicos, nutricionistas e pesquisadores para dizerem que açúcar não faz mal; que as pessoas estão obesas porque não exercitam (uma grande mentira sobre a qual falaremos em outra oportunidade
