Na idade média, enquanto as ciências e as artes eram destruídas e perseguidas, e se refugiavam em quartos escuros de mosteiros, os árabes avançaram. Desenvolveram a alquimia, que deu base à química moderna. Avançaram na astronomia, que mapeou os céus e criou os instrumentos que fundamentaram as grandes navegações. Desenvolveram a matemática, marcando-a de forma profunda e permanente. A álgebra e os algoritmos são marcas eternas deste desenvolvimento.
Entre tantas áreas de domínio dos árabes, uma que teve repercussões relevantes foi a medicina. Os árabes conheciam os melhores medicamentos e tratamentos da época. Mas, na cirurgia, se destacaram como nenhum povo. Os europeus e suas colônias só alcançaram a proficiência médica dos árabes a partir do século XVIII. Mesmo assim, de forma lenta e fragmentada.
Os muçulmanos entraram em Córdoba com o apoio dos judeus. Ali fincaram raízes e implantaram sua cultura. Durante muitos séculos, houve um convívio amistoso entre as três religiões abraâmicas: judeus, cristãos e muçulmanos. Com isto, a cidade se tornou um dos mais importantes centros da cultura e das ciências da Europa. Entre elas, a medicina, exercida por médicos árabes da mais alta competência.
Córdoba é praticamente um museu a céu aberto. Mas, nos museus propriamente ditos, podemos encontrar preciosidades, como este mostruário de instrumentos cirúrgicos de altíssima qualidade usados por cirurgiões da época.
Cada um adaptado a uma finalidade específica, os instrumentos eram feitos, principalmente, de cobre, ferro e aço. É impressionante ver a delicadeza de cada um, e o grau de ajuste a cada tipo de demanda.
Córdoba é um mostruário vívido da superioridade que os árabes tinham sobre os europeus da época. Fosse medicina, química, arquitetura, artes ou engenharia, eles se destacavam de forma acentuada.