Alerta

Economia brasileira entrou 2026 com indicadores robustos e promessa de melhoras.

Todos os indicadores da economia brasileira melhoraram em 2025 e prometem melhorar em 2026

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 10/02/2026 08:57
Economia brasileira entrou 2026 com indicadores robustos e promessa de melhoras.
PIB, bolsa, dólar, desempregro, inflação, produção agrícola, produção industrial, SELIC... todos os índices dão bons sinais no primeiro mês de 2026
Em 2025, a economia brasileira derrotou todos os profetas do apocalipse e surpreendeu os mais otimistas. Bolsa, dólar, PIB, inflação, desemprego, todos os números vieram satisfatórios e até inacreditavelmente bons, como o Ibovespa. Os números do primeiro mês de 2026 não decepcionaram. Eles apontam para um número melhor do que o do ano passado.

Os índices da economia capitalista

No capitalismo, a robustez da economia de um país é avaliado por vários índices. Os mais usados são o PIB, a inflação, o desemprego, a balança comercial, a bolsa de valores, a produção industrial.

O que nos dizem estes índices?
  • PIB –— Produto Interno Bruto. Mede o valor de todos os bens produzidos no país. Quanto mais cresce, maior a riqueza produzida;
  • Inflação –— Mede a variação dos preços de uma cesta de produtos. A cesta escolhida indica para quem a inflação é medida. Isto significa que existe uma inflação para os ricos e outra para os pobres; uma para a construção civil, outra para os serviços. O aumento ou queda do preço de um produto isolado não mede a inflação. É também possível que um tipo de inflação suba, enquanto outro cai. Por exemplo, a inflação medida pelo IGP-M pode descer, enquanto a inflação medida pelo IPCA pode subir.
  • Desemprego –— Mede a quantidade de pessoas do país que querem e podem trabalhar e não encontram emprego. Por que é importante considerar apenas as pessoas que querem e podem trabalhar? Porque temos que excluir as crianças e jovens até 18 anos, que deveriam estar brincando ou estudando, e não trabalhando. Temos também que excluir os doentes e os idosos, que não têm condições de trabalhar. Temos que excluir os universitários que, embora tenham idade e condições de trabalhar, ainda estão completando sua formação escolar. Finalmente, temos que excluir os rentistas (capitalistas), os empresários e os aposentados, pois são pessoas que geralmente não buscam emprego. Estas exclusões confundem pessoas de mente simplória que fazem contas como se toda a população estivesse em condições e interessada em procurar emprego!
  • Balança comercial –— É a diferença entre o que o país importa e exporta. Indica se o país está acumulando divisas (moeda estrangeira) ou se está perdendo divisas.
  • Bolsa de valores –— Indica o quanto as pessoas que têm dinheiro acreditam na economia. Quando mais gente acredita, elas compram ações, elas sobem de valor e a bolsa sobe. Quanto as pessoas não acreditam na economia, as pessoas não compram ações, elas perdem valor e a bolsa cai, ou fica estática. "Anda de lado", como se costuma dizer.
  • Produção industrial –— Indica se o país está produzindo mais bens, como máquinas, tratores, veículos, equipamentos. Um crescimento maior neste setor indica um crescimento maior da economia. 

Existem muitos outros índices, mas estes são os mais mencionados. Quando todos eles apontam na mesma direção, e esta é para a frente e para a cima, é bom sinal. E isto é o que tem acontecido no Brasil: todos estão avançando no sentido positivo.

Há outros índices. Menos falados, eles podem até ser mais importantes do que os mencionados acima. Os de cima medem o crescimento da economia, mas estes medem como os benefícios da economia chegam às pessoas. Em especial, se chegam apenas para alguns, ou se chegam para todos. Por exemplo, o PIB por cabeça, o índice de Gini, o IDH, a longevidade, o acesso à educação.

Os índices sociais

Estes índices refletem como o crescimento da economia chega à população. Os mais comuns deles são:

  • PIB por cabeça –— Este número indica qual parcela do PIB cabe a cada cidadão. Quando ele aumenta de um ano para outro, é sinal de melhora. Quando cai, é sinal de piora. Ele leva em conta duas coisas: o crescimento da riqueza, e o crescimento da população. Quando a riqueza cresce mais do que a população, o sinal é positivo.
  • Índice de Gini –— Este índice avalia como a riqueza é distribuída entre os habitantes. Quando ele cai, é sinal de que há mais igualdade; quando ele sobe, é sinal que há mais desigualdade. Por isto, devemos combiná-lo com o PIB por cabeça para saber se o aumento da riqueza está beneficiando mais gente, ou apenas alguns.
  • IDH –— Este é o índice de desenvolvimento humano. Quando maior, melhor a situação do país. Ele incorpora vários indicadores, como educação, saúde, longevidade. Quanto o IDH aumenta, é sinal de que a vida da população está melhorando.
  • Esperança de vida ao nascer –— Diz quantos anos um bebê que acabou de nascer poderá viver. O aumento deste número indica que as condições da população está melhorando. Por exemplo, alimentação melhor, água tratada, vacinação, atendimento médico.
  • acesso à educação –— Mede o aumento da população alfabetizada, quantos concluíram o curso médio, o curso superior. Quanto maior o acesso à educação, melhor a situação das pessoas.

É importante correlacionar os índices da economia, propriamente dita, com os índices sociais. Quando a melhora que acontece nos índices da economia se refletem numa melhora dos índices sociais, isto indica que o país está ficando melhor para todos. Quando não há este reflexo, é sinal de que a economia está beneficiando só os ricos.

A Bolsa

Tudo que sobe, desce. Não será surpresa que, em algum momento, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo se estabilize, comece a andar de lado ou até a recuar um pouco. Isto faz parte da história de todas as bolsas de valores. Investir em bolsa é uma aposta no longo prazo, não no suspiro do dia.

Claro, há exceções. Os especuladores, especialmente os chamados "day trraders". Esta turma não aposta na melhora ou piora da economia. Ela aposta nas flutuações diárias, nos sustos e percalços da bolsa. Eles faturam em cima de boatos, incertezas, medos.

Exemplo de lucro de day traders por exploração do medo e da ignorância.

Especuladores poderosos podem soltar boatos e convencer a imprensa de que a Petrobrás vai revelar a descoberta de um grande poço de petróleo. Quando isto acontece, a ações da Petrobrás sobem instantaneamente.

O que o especulador faz é comprar um monte de ações da Petrobrás, e esperar que a notícia saia. O preço sobe, ele vende as ações e embolsa os lucros. Quem comprou em cima do boato, fica no prejuízo.

Para comprar ações baratas, ele faz o contrário: espalha o boato de que a Petrobrás anunciará um prejuízo no seu balanço trimestral. Isto joga o preço das ações para baixo. Ele compra, e aí vem o desmentido. As ações sobem, ele vende, e embolsa o lucro.

São dois mecanismos muito simples (mas que ainda funcionam!) só para exemplificar como a bolsa pode ser manipulada, de modo que os espertalhões ganhem dinheiro, e os inocentes fiquem no prejuízo.

Investidores verdadeiros, diferentemente dos especuladores, compram ações para terem lucros no longo prazo. Eles confiam na solidez da empresa e na força da economia. É o caso, por exemplo, dos fundos de pensão. Eles precisam garantir o dinheiro dos aposentados não por um dia, ou um mês, mas por 50 anos, 100 anos ou mais. Por causa disto, a menos que o gestor seja desonesto, eles não especulam, eles investem em empresas sólidas.

Um parêntese: desnecessário dizer que nem todo gestor é honesto e competente. O recente caso do Banco Master, ainda em andamento, mostra como gestores desonestos podem colocar bilhões a perder.

Início de 2026

Bolsa

O IBOVESPA (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo) fechou 2025 com impressionantes 34%. Este é um número que não aparecia havia décadas. Talvez se pudesse pensar que haveria uma pausa em 2026. No entanto, aconteceu o contrário: no primeiro mês do ano, e antes do carnaval, o IBOVESPA já subiu 15,59%. Ou seja, subiu em pouco mais de um mês, a metade do que havia subido nos 12 meses anteriores!

Não só isto: em um mês ele bateu seu próprio recorde por dez vezes!

Entre as ações mais negociadas, e mais valorizadas, estão as ações da Petrobrás. Ela também subiu por dez vezes seguidas. É a ação mais comprada por investidores estrangeiros. O valor de mercado da empresa chegou a R$ 500 bilhões.

O Banco do Brasil não ficou atrás. 

Por enquanto, as previsões para o crescimento da Bolsa continuam muito positivas

Dólar

Historicamente, o dólar é a moeda usada como reservar de valor. No entanto, este papel vem perdendo importância a cada ano. Isto por vários motivos. Superpotências como a China estão se livrando dos dólares. Este é um fator importante. Outro fator importante é que os países do BRICS (Brasil, Índia, Rússia e China e novos sócios) estão negociando em suas próprias moedas. A Europa, por sua vez, está cada vez mais preocupada em se afastar do dólar.

Somando-se a tudo isto, há a enorme confusão que o presidente americano, Donald Trump, está fazendo na economia do seu país. Com as tarifas alucinadas, perseguição a emigrantes, gastos com as forças armadas, políticas erráticas, a economia cambaleia. Em 2025, o desemprego aumentou, o PIB cresceu com menos força, as bolsas de valores ralentaram o passo, a inflação subiu. As incertezas são enormes.

Até o sucesso do PIX do Brasil ajudou a causar um abalo no dólar.

Neste ambiente, o real brasileiro vem ganhando força perante o dólar americano. No fechamento de ontem, ficou em R$ 5,18 por dólar. O gráfico abaixo mostra o movimento em 2025 e início de 2026.

É um verdadeiro movimento ladeira abaixo. Isto é bom, porque diminui o custo dos importados e ajuda a controlar a inflação.

Inflação

A inflação medida pelo IPCA ficou em 4,26%, pouco abaixo do valor esperado. Mas, quando se mede apenas a inflação dos alimentos que compõem a cesta básica, houve uma deflação no país inteiro, embora alguns estados tenham registrado quedas maiores do que outros. Isto significa que a alimentação ficou mais leve no bolso do trabalhador.

Já a inflação medida pelo IGP-M teve queda de 1.5%. Como ele muito usado para reajustar aluguel isto significa que houve um alívio para quem paga aluguel.

Finalmente, todos os analistas de mercado estão prevendo uma queda maior da inflação em 2026. O Boletim Focus, por exemplo, baixou suas previsões para  3,97%.

Isenção do Imposto de Renda

A isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, combinado com um pequeno ganho real no salário míniimo, aponta para melhorias em vários setores da economia. Isto acontece porque, quando as pessoas com renda menor aumentam seu poder aquisitivo, elas aumentam seu tíquete médio no supermerccado, usam mais serviços e lazer.

A isenção aprovada pelo Governo Lula significa que bilhões de reais que antes iam para o governo, agora ficarão nas mãos do consumidor de menor renda. Este dinheiro volta imediatamente ao comércio, criando um aquecimento na economia.

Momento positivo

A economia brasileira teve um ano muito positivo em 2025. Agora, 2026 começa apontando para resultados melhores ainda. Esta expectativa, já boa, pode melhorar mais ainda, se houver uma recuperação da Argentina. EM 2025, o peso argentino foi a moeda que mais perdeu valor no mundo. Mais de 20%. Isto prejudica o Brasil, pois os argentinos são clientes fortes de produtos brasileiros. Por isto, caso a Argentina consiga sair do buraco em que se meteu, o Brasil poderá ser beneficiado.

Outro motivo de perspectiva positiva é o acordo UE-Mercosul. Há ainda algumas pendências, mas o potencial de comércio aumentado entre Brasil e Europa coloca mais água no moinho do Brasil.

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