Condenada no Brasil, a ex-deputada Zambelli fugiu para a Itália. Na época ela se vangloriou que era cidadã italiana, e que a justiça brasileira jamais a alcançaria. No entanto, ela foi presa em julho de 2025. Desde então, aguarda presa para saber se será ou não devolvida para cumprir pena no Brasil.
Se a ex-deputada perder nesse tribunal, ela poderá ainda recorrer ao tribunal de cassação. Mesmo perdendo em ambos os tribunais, a extradição não é automática. Em casos assim, quem dá a palavra final é o executivo. No caso da Itália, trata-se de Giorgia Meloni, a presidente do Conselho de Ministros.
Católica e conservadora de extrema-direita, adotou o lema Deus, Pátria e Família. Por esta postura, Carla Zambelli deposita sua esperança na decisão de Meloni. No entanto, há questões técnicas e políticas que dificultam saber se Zambelli gozará de algum benefício de Meloni.
Primeiro, porque há juristas que entendem que, havendo aprovação da extradição em ambas as cortes, Meloni seria obrigada a sacramentar o ato, e não poderia decidir contra as cortes.
O outro obstáculo é com relação à posição de Meloni e dos italianos frente aos imigrantes. A extrema-direita italiana é contra os imigrantes. Por princípio. Embora Carla Zambelli tenha cidadania italiana, os conservadores de extrema-direita não a consideram italiana. Ela seria apenas uma criminosa tentando se aproveitar de benesses que só cabem aos italianos verdadeiros, aqueles que lá nasceram, ou pelo menos lá moraram e trabalharam a vida toda.
Seja como for, antes de a decisão chegar às mãos de Meloni, Zambelli deverá enfrentar o julgamento em andamento, e outro, que certamente ocorrerá, por causa dos recursos cabíveis.