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Läut: estelionato eleitoral e assalto aos cofres públicos

A promessa mentirosa de trazer fábrica de cerveja para Bom Despacho desviou dinheiro público e influenciou as eleições

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 12/02/2026 11:04
Läut: estelionato eleitoral e assalto aos cofres públicos
A prefeitura deu R$ 3 milhões para a Läut. Os sócios dela são estelionatários. Os desonestos ganharam dinheiro. Bom Despacho pagou a conta.
A prefeitura de Bom Despacho voltou a ser terra sem lei. R$ 4 milhões para um asfalto que não existe; R$ 3 milhões para uma fábrica de cerveja de fantasia; R$ 4,3 milhões para contratação de mão de obra, mais alguns milhões para uma cooperativa falsa de transporte escolar... Milhões estão saindo pelo ralo, enquanto não se vê ação dos vereadores e os responsáveis pelo patrimônio público parecem tirar uma eterna soneca. É como dizem: a roubalheira está aí; só não vê quem não quer.

Doação de terreno

Com a complacência ativa do ex-prefeito Bertolino, e ação do então pré-candidato Fernando Andrade, os vereadores aprovaram a doação de um terreno de R$ 3 milhões para a Cervejaria Läut. A única voz discordante foi da então vereadora Paré. Para calá-la, os estelionatários arregimentaram empresários para defenderam o apoio à doação.

No entanto, examinando-se os documentos apresentados pela empresa, vê-se que tudo não passava de uma farsa. A empresa não tinha dinheiro, não tinha capacidade operacional, não tinha capacidade administrativa. Um amontado de mentiras, recheado com documentos inúteis, fabricados para enganar, e sem nenhuma comprovação de condições de construir uma fábrica.

Falhas e mentiras

Tomaria páginas, e seria cansativo, enumerar e explicar aqui todas as falhas (propositais) no processo de doação de R$ 3 milhões à fábrica de Cerveja. O que vem abaixo, é um resumo diminuto.

  • A empresa não tinha capital social suficiente para nenhum investimento;
  • A empresa não tinha cadastro financeiro;
  • A empresa recusou-se a apresentar balanço, balancete, ou qualquer prova de receita. Neste caso, houve a desculpa mais esfarrapada e absurda do mundo, que o prefeito e os vereadores aceitaram: proteção da intimidade da pessoa!;
  • Os números apresentados (sem lastro) eram absurdamente fantasiosos, como 150 empregos no primeiro ano e 500 empregos no segundo ano;
  • Faturamento anual de R$ 60 milhões (este povo, mente com gosto e sem vergonha na cara!)
  • A empresa criaria uma fazenda de lúpulo (esta planta não está adaptada para Bom Despacho)

É difícil acreditar que o ex-prefeito e os vereadores dá época tenham acreditado nestas invencionices e aprovado o projeto de boa fé. É impossível acreditar nisto. Mas, fica pior.

As justificativas para a escolha do terreno também são absurdas. Vamos às principais:

  • A água do lugar é boa e abundante -- Na verdade, no local (ao lado do aeródromo) não tem água! A pouca água que existe lá, vem de poços artesianos de baixo volume e baixa qualidade. Nada que, mesmo de longe, possa servir e ser suficiente para uma fábrica de cerveja;
  • A empresa construiria, também, ao lado da indústria, um grande clube para a população (mesmo?)
  • Com a doação (2023) já em 2024 a empresa transferiria o faturamento para Bom Despacho (uma impossibilidade legal, mas, se fosse feito, seria um crime, e causaria briga entre municípios, pela partilha do ICMS)

Modo de operação da quadrilha Vorcaro/Master

A quadrilha não escolhe área de atuação. Estão por todos os lados. Mas, há uma predominância de negócios imobiliários e mercado financeiro. Todos, repletos de fraudes. 

Mercado imobiliário

O mercado imobiliário é muito usado para lavar dinheiro. No caso desta quadrilha, as empresas imobiliárias (são muitas dezenas!) apareciam como holdings, como geradoras de crédito para venda fraudulenta, e também operam na grilagem de terras e em construções ilegais, fraudes em créditos de carbono.

Um exemplo do poder da quadrilha em fechar os olhos das autoridades é a construção de um clube na Praia de Araçaípe, em Arraial d'Ajuda, na Bahia. Ninguém viu a empresa Milo destruir áreas de reserva e fezer construções ilegais. A empresa responsável era a Milo Investimentos S/A é da família Vorcaro: o patriarca, Henrique Vorcaro, pai de Daniel e de Natalia Zettel (irmã de Daniel e casada com o pastor Zettel, da igreja Lagoinha, recentemente preso pela Polícia Federal).

Este caso da Milo exemplifica ações da quadrilha no mercado imobiliário. Mas, no entorno de Belo Horizonte há mais de 30 imobiliárias ligadas à família. Como é típico nestes casos, a própria empresa Milo S/A é dona de cinco outras empresas imobiliárias.

Mercado financeiro

Embora movimentasse bilhões no mercado imobiliário, nos últimos anos Daniel Vorcaro voltou seus olhos e suas ações para o mercado financeiro. A mudança, ocorrida após a compra do Banco Máxima, e sua troca de nome para Master, não ocorreu por acaso. A partir daí, as empresas que já existiam, e as novas que foram criadas, viraram uma verdadeira fábrica de créditos falsos.

Mas, aí que vem a ironia: os créditos eram falsos, mas o dinheiro que eles geravam para a quadrilha era verdadeiro!

Para realizar esta mágica, o Banco Master passava o calote para frente. Foram suas vítimas os fundos de pensão, os velhinhos do INSS, o BRB.

Fernando Alves e André Beraldo

Dois dos elos entre a Läut e o Banco Master estão diretamente envolvidos na doação que o ex-prefeito Bertolino fez à Läut, com apoio dos vereadores (exceto a vereadora Paré). No trecho abaixo, extraído de um dos papeis que Läut enviou ao prefeito, aparece o email de André Beraldo: andre@gruposimetriabrasil.com.br

Seu email aparece em ambas as empresas: Grupo Life Participações (que é a Läut), Adapta Gestão (que é a dona da Läut), mas o email está em nome do Grupo Simetria Brasil. Este grupo é vinculado a planos de saúde. E, planos de saúde e hospitais (muitas vezes, falsos), também são cobertos pela atuação da quadrilha.

Este grupo Simetria pertence a André Beraldo, mas também às empresas ABM e ESB.CORP. Estas duas, por sua vez, são administradas por Fernando Alves. Todos - empresas e pessoas - têm ligações com a quadrilha Vorcaro/Master.

Estes foram os dois que estiveram à frente do golpe aplicado em Bom Despacho. Contra a prefeitura, e contra os eleitores.

As mentiras de Fernando Alves

Fernando Alves mente com facilidade. Como dizem os mineiros, ele não fica nem vermelho para mentir. Em agosto de 2025, numa entrevista à jornalista Staël, mentiu várias vezes. Um dos seus objetivos, era jogar a culpa do fracasso da Läut em Bom Despacho sobre os ombros da ex-vereador Paré, e da ex-candidata Joice Quirino.

Para isto, recorreu à mentira de forma repetida e sistemática. Veja alguns exemplos no vídeo abaixo.

E o dinheiro? O ratos comeram!

O que se pode garantir é que, até agora, o cidadão de Bom Despacho perdeu R$ 3 milhões, nenhuma fábrica de cerveja veio ou virá, e, aparentemente, ninguém será punido. 

O dinheiro, os ratos comeram.

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