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Chikungunya preocupa Europa

Antigamente se considera a Europa imune à chikungunya e dengue. Com aquecimento global, não é mais assim.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 18/02/2026 11:40
Chikungunya preocupa Europa
Antes restrito à Ásia e África, o mosquito tigre chegou ao sul da Europa e dos Estados Unidos. É consequeência do aumento médio da temperatura.
Até poucos anos atrás, falar em dengue e chikungunya na Europa e nos Estados Unidos era coisa de gente tonta. Agora é uma realidade. Não apenas de casos importados, mas de casos originados de mosquitos locais. O mosquito conhecido como tigre asiático está estabelecendo moradia em locais onde antes ele não sobrevivia.

Chikungya e dengue são doenças tropicais. Elas proliferavam em países situados ao longo do Equador. Não conseguiam viver em climas temperados. Nos últimos, porém, os países da zona temperada estão ficando mais quentes. Sobreviver e multiplicar-se neles não é mais um desafio impossível para o mosquito tigre asiático (Aedes albopictus).

Temperaturas mínimas

De acordo com o Journal of the Royal Society Interface, a temperatura mínima para que o mosquito sobreviva, pique, e transmita a doença é de 14  C. Temperaturas superiores a estas são comuns nos países do sul da Europa, como Grécia, Itália, Espanha e Portugal. É principalmente neles que têm ocorrido o maior número de casos de aquisição local da doença. 

Segundo os estudos, nestas regiões os mosquitos podem ficar ativos e transmitir a doença ao longo de pelo menos seis meses do ano.

Também por isto, casos nativos já foram encontrados na Flórida, nos Estados Unidos. Embora a maioria dos casos reportados seja de viajantes que estiveram em Cuba ou outros países onde a doença é endêmica, os casos locais chamam a atenção.

O mesmo acontece com a Inglaterra, onde o mosquito já foi localizado, embora todos os casos registrados da doença tenham se manifestado em pessoas que viajaram para regiões mais quentes.

Futuro da doença

Considerando o avanço da doença para climas temperados, a esperança de volta para o desenvolvimento de vacinas. Recentemente, o Brasil desenvolveu uma vacina eficaz contra a dengue. Outros países também já fabricam vacina. Embora já aprovadas, eles ainda não estão sendo aplicadas na população em geral.

Também com relação à chickungunya, nos últimos meses, duas vacinas aprovadas na Europa. Confirmada a eficácia delas, é provável que o custo caia e elas se tornem de uso generalizado. Sem isto - e até lá - a dengue e o chikungunya continuarão afetando milhões.

Prevenção

Os brasileiros, embora não pratiquem, conhecem o ritual de prevenção da dengue: não acumular lixo, não deixar água parada, aplicar repelentes.

Os europeus estão muito menos acostumados com isto. A maioria nem tem conhecimento de que estas doenças existem. Mas, pelo aumento do número de casos, não tardará até que passem a ser alertados para os mesmos cuidados que são recomendados aos brasileiros.

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