Operação abafa estilo maquiavel
Quando políticos corruptos não têm estratégia para enfrentar as acusações quando suas falcatruas são descobertas, eles gritam, pulam e agitam os braços. Gostam, especialmente, de dizer que são de família conservadora, tementes a Deus e patriotas. Nesta esteira estão os mais de trinta (trinta!) prefeitos de Santa Catarina presos por corrupção nos últimos meses.
Mas, com esta gritaria, eles só conseguem chegar a todos a notícia que queriam esconder:
Políticos corruptos que têm estratégia para enfrentar as acusações agem de forma diferente. Primeiro, se calam sobre o assunto. Segundo, arranjam um assunto para distrair a atenção. Esta forma de agir é bem conhecida desde tempos imemoriais. Ela se chama manobra diversionista, também conhecida como operação abafa.
Operação abafa estilo desputados
Quanto aos políticos, estamos cansados de ver a operação abafa em funcionamento. Por exemplo, o deputado Sóstenes Cavalvante, apanhado com mais de R$ 400 mil em dinheiro vivo, se alternou entre o enfrentamento e o diversionismo. Tentou explicar o dinheiro com a suposta venda de um apartamento. Não deu certo, pois os seus esclarecimentos só trouxeram mais complicações para ele. Então ele voltou ao silêncio sobre o assunto, e adotou uma postura de ataque, tentando transferir para terceiros a lama que havia caído sobre ele.
Também vemos políticos que jamais tocam em determinados assuntos. Por exemplo, o tão-falante Nikolas Ferreira tem ficado calado sobre o gigantesco escândalo do Banco Master. Talvez porque o pessoal da Igreja Lagoinha, à qual o deputado está associado, esteja envolvida nas falcatruas.
Este deputado segue a cartilha completa: silêncio sobre o que pode contaminá-lo, e gritaria para apontar o dedo para outros. Desviar a atenção.
Agora, vemos a grande imprensa em verdadeira operação abafa. Tem uns dez dias ou mais que o G1, por exemplo, não destaca outra coisa que não sejam corpos sarados, mulheres que perdem o tapa-sexo, famosos que se juntam e se separam, quem se beija na rua e quem não se beija.
Operação abafa estilo jornalões
Não é que tais assuntos não devam ir para os jornais. Há espaço para tudo. As colunas sociais, as fofocas e os horóscopos sempre interessaram a muitos. O problema é quando estes assuntos de tuta-e-meia dominam as manchetes de primeira página por dias a fio.
Os jornalões estão seguindo o manual maquiavélico com adesão plena: silêncio sobre os escândalos dos quais podem ter participado, ou com os quais podem ter se beneficiado, e assuntos irrelevantes que apontam para outro lado.
No conglomerado Globo, por exemplo, há vários jornalistas acusados de terem acobertado e até participado dos crimes da Lava-Jato. Agora, eles parecem participar de uma campanha orquestrada contra a república. Eles se silenciam, por exemplo, sobre as graves acusações que pesam contra Dallagnol e Moro; ou contra a condenação da juíza Gabriela Hardt. Ou, ainda, quanto aos processos contra o TRF-4.

Afinal, Moro, Dallagnol e Gabriela são acusados de ter desviado R$ 2,5 bilhões. Se são culpados ou não, ainda não há veredito condenatório. Mas, este assunto parece bem mais relevante do que a queda do tapa-sexo de uma tal Virgínia que parece ligada ao mundo das apostas.
Mundo das apostas que, por sua vez, está ligado a um monte de deputado e senadores.
Passou o carnaval
O carnaval passou, mas os escândalos permanecem. Já quarta-feira de cinzas (ontem), o Banco Central decretou a liquidação de mais um banco. Desta vez, operado por um sócio de Daniel Vorcaro. Até aqui se fala em prejuízo de R$ 6,5 bilhões.
Será que a partir de hoje, quinta-feira, dia 19 de fevereiro de 2026, os jornalões relegarão a exposição da genitária femina a um cantinho menor dos seus jornais, e trarão os escândalos para a primeira página?
Nossa pátria não pode continuar distraída, enquanto somos roubados em tenebrosas transações.