Alerta

Operação Abafa? com um monte de escândalos aflorando, tapa-sexo vira destaque!

Ano eleitoral, deputados e senadores envolvidos em corrupção, e as manchetes cuidam de tapa-sexo e beijos de famosos

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 19/02/2026 10:21
Operação Abafa? com um monte de escândalos aflorando, tapa-sexo vira destaque!
Nada contra tapa-sexo, carnaval, conservadores enlatados ou beijo de famosos, mas os escândalos que levam diretamente a deputados e senadores deveriam ter mais relevância.
"Dormia, a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações."  –— Vai Passar, Chico Buarque.

Operação abafa estilo maquiavel

Quando políticos corruptos não têm estratégia para enfrentar as acusações quando suas falcatruas são descobertas, eles gritam, pulam e agitam os braços. Gostam, especialmente, de dizer que são de família conservadora, tementes a Deus e patriotas. Nesta esteira estão os mais de trinta (trinta!) prefeitos de Santa Catarina presos por corrupção nos últimos meses.

Mas, com esta gritaria, eles só conseguem chegar a todos a notícia que queriam esconder:

Políticos corruptos que têm estratégia para enfrentar as acusações agem de forma diferente. Primeiro, se calam sobre o assunto. Segundo, arranjam um assunto para distrair a atenção. Esta forma de agir é bem conhecida desde tempos imemoriais. Ela se chama manobra diversionista, também conhecida como operação abafa.

Operação abafa estilo desputados

Quanto aos políticos, estamos cansados de ver a operação abafa em funcionamento. Por exemplo, o deputado Sóstenes Cavalvante, apanhado com mais de R$ 400 mil em dinheiro vivo, se alternou entre o enfrentamento e o diversionismo. Tentou explicar o dinheiro com a suposta venda de um apartamento. Não deu certo, pois os seus esclarecimentos só trouxeram mais complicações para ele.  Então ele voltou ao silêncio sobre o assunto, e adotou uma postura de ataque, tentando transferir para terceiros a lama que havia caído sobre ele.

Também vemos políticos que jamais tocam em determinados assuntos. Por exemplo, o tão-falante Nikolas Ferreira tem ficado calado sobre o gigantesco escândalo do Banco Master. Talvez porque o pessoal da Igreja Lagoinha, à qual o deputado está associado, esteja envolvida nas falcatruas. 

Este deputado segue a cartilha completa: silêncio sobre o que pode contaminá-lo, e gritaria para apontar o dedo para outros. Desviar a atenção.

Agora, vemos a grande imprensa em verdadeira operação abafa. Tem uns dez dias ou mais que o G1, por exemplo, não destaca outra coisa que não sejam corpos sarados, mulheres que perdem o tapa-sexo, famosos que se juntam e se separam, quem se beija na rua e quem não se beija.

Operação abafa estilo jornalões

Não é que tais assuntos não devam ir para os jornais. Há espaço para tudo. As colunas sociais, as fofocas e os horóscopos sempre interessaram a muitos. O problema é quando estes assuntos de tuta-e-meia dominam as manchetes de primeira página por dias a fio.

Os jornalões estão seguindo o manual maquiavélico com adesão plena: silêncio sobre os escândalos dos quais podem ter participado, ou com os quais podem ter se beneficiado, e assuntos irrelevantes que apontam para outro lado.

No conglomerado Globo, por exemplo, há vários jornalistas acusados de terem acobertado e até participado dos crimes da Lava-Jato. Agora, eles parecem participar de uma campanha orquestrada contra a república. Eles se silenciam, por exemplo, sobre as graves acusações que pesam contra Dallagnol  e Moro; ou contra a condenação da juíza Gabriela Hardt. Ou, ainda, quanto aos processos contra o TRF-4.

Afinal, Moro, Dallagnol e Gabriela são acusados de ter desviado R$ 2,5 bilhões. Se são culpados ou não, ainda não há veredito condenatório. Mas, este assunto parece bem mais relevante do que a queda do tapa-sexo de uma tal Virgínia que parece ligada ao mundo das apostas.

Mundo das apostas que, por sua vez, está ligado a um monte de deputado e senadores.

Passou o carnaval

O carnaval passou, mas os escândalos permanecem. Já quarta-feira de cinzas (ontem), o Banco Central decretou a liquidação de mais um banco. Desta vez, operado por um sócio de Daniel Vorcaro. Até aqui se fala em prejuízo de R$ 6,5 bilhões.

Será que a partir de hoje, quinta-feira, dia 19 de fevereiro de 2026, os jornalões relegarão a exposição da genitária femina a um cantinho menor dos seus jornais, e trarão os escândalos para a primeira página?

Nossa pátria não pode continuar distraída, enquanto somos roubados em tenebrosas transações. 

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