Alerta

A polilamina promete revolucionar o tratamento da medula espinhal.

Desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, pela pesquisadora Tatiana Sampaio, a molécula traz esperança

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 20/02/2026 08:53
A polilamina promete revolucionar o tratamento da medula espinhal.
Após 25 anos de pesquisa, a cientista publicou seu trabalho que promete evitar as paralisias após rompimento da medula espinhal
A descoberta é revolucionária: a polilaminina pode regenerar a medula espinhal rompida. Com isto, ela vem-se mostrando capaz de curar a paraplegia (paralisia das pernas) e a quadriplegia (paralisia de braços e pernas). A pesquisa caminha para suas fases finais

A invenção da polilaminina traz uma esperança para pessoas que nunca a tiveram: aqueles que rompem a medula espinhal em acidentes de piscina, de carro, em quedas. Até hoje, o prognóstico era trágico e definitivo: rompida a medula, dependendo da altura, ainda que a pessoa sobrevivesse, seria sem movimento dos braços ou das pernas. Ou de ambos.

Agora, após 25 anos de pesquisa, a Dra. Tatiana Coelho Sampaio traz esperança para estes acidentados.

O que faz a polilaminina?

A laminina é uma proteína fundamental no desenvolvimento do embrião. Ela tem papel ativo na criação, diferenciação e migração das células. Mas, principalmente, orienta o crescimento celular. 

A polilamina, por sua vez, é uma versão estável da laminina. Ela foi desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro ao longo de 25 de pesquisas, sob a orientação da Dra. Tatiana Coelho Sampaio.  

Polilaminina ou polyLM é uma forma estabilizada de laminina cujo desenvolvimento experimental foi conduzido na Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob orientação da professora Tatiana coelho Sampaio.

Esta proteína, quando aplicada diretamente no ponto de rompimento da medula, incentiva o crescimento das células nervosas, fazendo com que cresçam, fechem o circuito, e restabeleçam a comunicação do cérebro com os membros que estavam desligados (como os braços e pernas).

Há campos comprovados em humanos?

Sim, já há vários casos com resultados comprovados em humanos. São ainda estudos experimentais. Alguns deles foram realizados por ordem da justiça, a pedido dos pacientes. No entanto, o produto ainda não está liberado para uso geral.

O que falta para o produto chegar ao SUS?

O desenvolvimento de medicamento, tipicamente, leva muitos anos. Depois que ele passa pelos testes iniciais, primeiro envolvendo apenas células, ele é aplicado em animais. Se não for encontrado nenhum problema sério, ele é aplicado em um pequeno grupo de pessoas. Geralmente voluntários.  Se até aí não for constatado problemas sérios, ele obtém um registro na ANVISA para fazer testes com grupos maiores. Geralmente, também com voluntários.

Ele só pode chegar ao SUS, após ser totalmente liberado pela ANVISA, e após ser possível produzi-lo em escala industrial. Ou seja, em volume suficiente.

Se funcionou com com vários pacientes, por que não começar a usar logo?

A prova científica da eficácia de um tratamento médico não pode se basear em meia dúzia de resultados, ainda que sejam entusiasmadores. É preciso testar com grande número de pessoas, antes de considerar que o produto é eficaz e seguro

Isto acontece porque a ciência sabe que há casos esdrúxulos, incomuns, inexplicáveis. Por exemplo, há registro de casos em que o paciente que rompeu a medula se recuperou espontaneamente após alguns meses, ou anos. São raríssimos, mas existem. Se os poucos pacientes tratados experimentalmente estiverem entre estes felizardos, podem ter melhorado graças a seus atributos pessoais, e não graças ao medicamento. Por isto é necessário testar com um grande número de pacientes antes de se poder ter certeza de que a droga é eficaz.

A mesma coisa acontece com relação à segurança. Pode ser que, por pura sorte, os cinco, seis pacientes tratados não tenham apresentado efeitos colaterais negativos. No entanto, pode ser que a maioria seja sensível e tenha reações negativas.

Portanto, tanto para analisar os benefícios, quanto pesar os riscos, é preciso que o número de pacientes tratados seja grande. Só depois disto é possível liberar a droga para uso geral.

Quem bancou esta pesquisa?

A pesquisa foi bancada pela UFRJ, e contou com a colaboração de alunos e professores de outras universidades federais. 

O resultado promissor da polilaminina mostra a importância das pesquisas financiadas pelas universidades públicas do Brasil. Os 25 anos que demorou mostram, também, a importância de se ter paciência. Pesquisas podem durar muitas décadas, mas, depois, trazem benefícios impagáveis para as pessoas e para a humanidade.

Interessante que, enquanto em alguns países há pesquisas desenvolvidas por empresas e universidades privadas, no Brasil as pesquisas só costumam ser feitas em universidades e empresas públicas. É o caso de todas as universidades federais e de empresas como a Embrapa. 

É por isto que elas precisam recebem financiamento continuado. Sem isto, a pesquisa morre, e o Brasil fica eternamente dependente de outros países.

Prêmio Nobel para o Brasil?

Mesmo a ANVISA não tendo ainda liberado a polilaminina para uso geral, os resultados até aqui apresentados são de tal forma importantes, que a Dra Tatiana Sampaio se torna uma candidata excepcionalmente forte ao Prêmio Nobel de Medicina. 

Tomara!

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