Quase todos os indicadores sociais e econômicos de 2024 e 2025 são positivos. A bolsa de valores se projetou para o alto, o dólar despencou, o real se valorizou frente às demais moedas, os empregos aumentaram, houve ganhos reais no salário mínimo, a inflação voltou à meta. As reservas internacionais do Brasil são robustas e o Banco Central aumentou suas garantias em ouro.
Até mesmo o tarifaço de Trump, que muitos viram com a chegada de um tsunami, acabou se esvanecendo sem estragos grandes e duradouros. Aliás, com a decisão da Suprema Corte americana de que as cobranças são ilegais, o otimismo com as exportações cresceram mais ainda.
Números positivos
Em 2026, o único número que permanece ruim é a taxa básica de juros, a SELIC. Esta taxa alta tem repercussões negativas na economia por dois caminhos: de um lado, encarece a vida daqueles que precisam tomar dinheiro emprestado. De outro lado, aumenta os gastos do governo com pagamento de juros.
No entanto, na última ata do BACEN dá indícios de que a taxa começará a cair a partir de meados de março. Ou seja, dentro de umas três semanas. Esta queda trará economia para o governo, para o empresariado e para a população em geral.
Minha Casa, Minha Vida
A construção civil é um dos motores da economia e um dos bons indicadores de melhorias sociais. Para a economia, porque gera muito emprego e faz circular grande quantidade de materiais, como aços, cerâmicos, vidros, cimento. Para as famílias, cria mais moradias.
O programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, teve uma expansão em 2025 que surpreendeu até os mais otimistas. Segundo a Câmara Brasileia da Indústria da Construção Civil (CBIC), foram entregues 453.005 unidades residenciais no ano. Isto representa um aumento de 10,6% em relação ao ano de 2024.
No lado do consumo, foram compradas 426.260 destas unidades novas. Isto representa um aumento de 5,4%.
Deste total de imóveis, o programa MCMV foi responsável por 52% dos lançamentos, e 49% das vendas. Isto mostra a importância do programa para o país. Mas, não são números importantes só para a economia. Eles são importantes, também, para a vida das famílias. Pessoas que não tinham, mas agora passaram a ter casa nova.
O efeito retardado
Embora os números tenham começado a mostrar sinais de melhoras já no início de 2024, a percepção da população mostrava sinais de piora. É um fenômeno interessante este. Talvez tenha sido provocada pelos robôs das redes sociais. Notícias alarmistas, mentiras simples, conflitos e confusões geram tráfico na Internet e enriquecem muita gente. Além de as manipulações darem poder político aos divulgadores de notícias sensacionalistas e pessimistas.
Afinal, já faz mais de 200 anos que os donos da comunicação sabem que boas notícias e otimismo não vendem jornal. Pessimismo, tragédias e catástrofes, ao contrário, vendem muito. Esta experiência da comunicação impressa foi trazida para a Internet, acelerada e robotizada. Quem usa este conhecimento, ganha seguidores e curtidas.
Por outro lado, quem divulga fatos, especialmente se forem otimistas, ganha críticas.
Neste cenário, é natural ver a defasagem entre o avanço positivo dos fatos econômicos e sociais e a percepção das pessoas. No entanto, a distância entre a realidade, expressa em números, e as fake news, expressa em boatos, fantasias e ignorância, não pode aumentar indefinidamente. Chega um momento em que até os míopes e cegos são obrigados a perceber. Aparentemente, é o que começou a acontecer. Devagar, a população começa a melhorar seu humor e sua esperança com relação à economia do Brasil. É isto que consta na pesquisa Ipsos, sintetizada no gráfico elaborado pelo G1
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