URGENTE - Esta semana, o prefeito pediu que a Câmara autorize o pagamento de R$ 4 milhões extras à Santa Casa. O vereador Eduardo Estrutura questiona duas coisas: a) por que só agora, um ano e meio depois da auditoria ter identificado um déficit? b) por que o pedido só chegou à Câmara na penúltima reunião do ano?
O vereador tem razão nos dois questionamentos, que podem ser fundidos num só: se o problema foi identificado e dimensionado em agosto de 2024, ele não pode ser tratado como urgência em dezembro de 2025! Não faz sentido.
Já que estamos falando de Santa Casa, podemos dizer que isto é como se uma pessoa tivesse quebrado o braço em janeiro e procurasse a UPA em dezembro. Em dezembro pode ser tudo, menos urgência.
Chantagem
No vídeo, o vereador deixa transparecer que o prefeito usou de um artifício para pressionar os vereadores e obrigá-los a autorizar o pagamento, sem tempo de analisar a situação. Ele esperou o fim do ano legislativo para pressionar dizendo que, se o pagamento não for autorizado, a Santa Casa perderá médicos e deixará de fazer atendimentos.
Também neste aspecto o vereador está certo: o prefeito está chantageando os vereadores. De fato, os está pressionando, dizendo que, se a Santa Casa não deixar de prestar serviços, a culpa será dos vereadores. Ou seja, ele que transferir para a Câmara, o ônus da negligência e da má gestão combinadas da prefeitura e da Santa Casa. É mesmo uma chantagem em que usa o medo da pressão popular como arma contra os vereadores.
Números reais
O vereador foi modesto ao manifestar sua indignação. De fato, o projeto de lei do prefeito diz que o déficit é de R$ 4.187.486,32 e vem desde novembro de 2023!
O déficit pode existir ou não. Esta é questão que os vereadores têm obrigação de averiguar, mas sem se submeterem à chantagem da pressão do tempo e da negativa de serviços na Santa Casa, ou perda de médicos. Afinal, quem espera dois anos para cobrar uma dívida, não pode alegar tanta urgência no apagar das luzes do ano legislativo.