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Zettel, cunhado de Vorcaro, operava o pagamento de propinas do Banco Master

Zettel, casado com irmã de Daniel Vorcado, é pastor da Igreja Lagoinha. Segundo a PF, ele levava dinheiro para o Master.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 13/03/2026 09:01
Zettel, cunhado de Vorcaro, operava o pagamento de propinas do Banco Master
Não é novidade que algumas igrejas evangélicas são usadas para lavar dinheiro. Com o Banco Master e a Fintech Clava Forte, a Igreja da Lagoinha tem posição de destaque no crime.
Zettel é pastor da riquíssima Igreja Lagoinha, de Belo Horizonte. É também dono da Fintech Clava Forte e cunhado de Daniel Vorcaro, a pessoa que deu golpe de R$ 60 bilhões na praça. O monitoramento das transações financeiras de Zettel mostra que ele lavava dinheiro e pagava propinas para acobertar a fraude do Banco Master.

Igrejas na lavagem de dinheiro

Dinheiro ganho de forma ilícita precisa ser lavado. Por causa da proteção que gozam, as igrejas são boas lavanderias. Mas, por que o dinheiro precisa ser lavado, e por que as igrejas são boas lavanderias?

Dinheiro ilícito

Há muitas fontes de dinheiro ilícito: a venda de celulares e carros roubados; o assalto a banco; o jogo do bicho; a venda de drogas; as casas de apostas sem registro. Quando os valores são pequenos, como o resultado do furto de um celular, o ladrão gasta no supermercado, na zona do meretrício, ou no boteco da esquina. O fato pode passar despercebido.

Mas, quando os valores são altos, envolvendo milhares, milhões, ou até bilhões de reais, a situação muda. Como uma pessoa que tem um emprego de R$ 5 mil por mês, vai justificar que comprou uma casa R$ 5 milhões, ou um avião de R$ 50 milhões? Não tem como.

É aí que entra a lavagem de dinheiro. Esta operação nada mais é do que fazer com que um dinheiro que tem origem ilícita, como o tráfico de droga, pareça ter uma origem lícita. É esta transformação que se chama lavagem, ou branqueamento de dinheiro.

Os bandidos são criativos. Há muitas formas de fazer isto. As igrejas evangélicas são uma delas.

As igrejas lavanderias

A lei brasileira protege as igrejas. Para começar, elas não pagam impostos. Elas não são fiscalizadas. Em muitas denominações (não todas!), os pastores exigem que seus fieis paguem dízimos. Em algumas, a exigência vai além: os pastores prometem prosperidade para quem der dinheiro e doar seus bens à igreja (de novo, não são todas).

Aí vem a parte interessante. O governo não controla este dinheiro. Não há recibo. Não precisa haver nem conta bancária. O recebimento pode ser em dinheiro vivo, mas pode ser também em cheque, em cartão de crédito, pix ou doação de bens.

Quanto de dinheiro a igreja tem? O tanto que o pastor declarar. E, o que é mais importante: Todo dinheiro que ele receber, dirá que é dízimo, ou doação

Agora, digamos que a igreja tenha 200 fieis dizimistas. Cada um contribui com R$ 150,00 por mês. Isto dá uma renda de R$ 30 mil para a igreja. Ele deposita no banco, em nome da igreja. Depois tira uma parte para sua própria subsistência. É o seu salário de pastor. Isto ele vai declarar à Receita Federal como renda. O que sobrar, ele usar em obras sociais e na manutenção da igreja.

Tudo certo e dentro da lei.

Aí, o pastor desonesto faz um acordo para lavar dinheiro do crime. Um traficante lhe entrega, em dinheiro vivo, R$ 200 mil. O pastor deposita na conta da igreja como se fosse dízimo ou doação em dinheiro. Agora, ele tira uma "comissão", e devolve o dinheiro lavado para o bandido.

Como ele devolve? Várias formas. As mais comuns, são mediante pagamentos por obras e serviços que não existem. O bandido entra com R$ 200 mil sujos, sai com R$ 150 lavados, e o pastor embolsa R$ 50 para fazer o branqueamento.

Este é um exemplo bem simplificado de como algumas igrejas e pastores ficam ricos lavando dinheiro sujo para o crime.

Zettel e Vorcaro

Daniel Vorcaro na cadeiaO esquema de Vorcaro e seu cunhado Zettel é bem mais abrangente e complicado do que o descrito acima, mas, a forma como o dinheiro é lavado é a mesma: o dinheiro sujo entra por um lado, e sai limpo do outro, mediante o pagamento de uma certa comissão para o lavador.

No caso do Varcaro e do Zettel, eles lavavam o próprio dinheiro sujo. Juntos, eles tinham a seu serviço várias dezenas de empresas usadas para aplicar golpes. Empresas na área hospitalar, construção civil, bancos, corretores de valores, igrejas, fintechs. Um verdadeiro império do crime.

Ajudando a acobertar tudo isto, e tirando proveito próprio, estão os políticos: deputados estaduais e federais, senadores, governadores. Alguns policiais, provavelmente juízes e ministros. 

O medo

É por tudo isto que, desde a prisão de Zettel e de Vorcaro, que muitos políticos estão sem dormir. É também por isto que, já faz tempo, alguns políticos, como o Deputado Nikols Ferreira, têm mentido sobre o monitoramente do PIX e das transações financeiras.

Zettel, por exemplo, declarou ter recebido rendimentos de R$ 66 mil. No entanto, movimentou R$ 100 milhões em apenas setes meses. Ou seja, mais de R$ 14 milhões por mês. É por causa destas contas que não fecham que tantos políticos têm medo do monitoramento das transações.

Segundo a Polícia Federal, Zettel movimentava dinheiro para pagar propinas. Um dos casos, envolve o pagamento de propina para que servidores do Banco Central fizessem vistas grossas para as operações ilícitas do Banco Master.

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