Dia 28 de fevereiro, manhã de um sábado, Trump e Netanyahu lançaram um ataque contra instituições do Irã. Na primeira onda, mataram o líder religioso do país, Ali Khamenei, e 176 meninas que estavam na escola.
Ao lado do líder religioso, estava quase toda sua família. A maioria morreu no araque. Um dos filhos que sobreviveu, Mojtaba Khamenei, foi eleito o novo líder religioso do país. Mas, segundo as autoridades do exército sionista, ele se encontra machucado e, possivelmente, desfigurado.
Este ataque comandado pela dupla Trump/Netanyahu pode ter iniciado a terceira guerra mundial. Mas, mesmo que isto possa ser evitado, os prejuízos para o mundo já são claros. E continuarão crescendo a cada dia.
Custo para os Estados Unidos
A economia americana não vai bem. Com as tarifas de Trump, a situação se complicou bastante. Os preços subiram, a indústria se desorganizou, a classe média aumentou seu endividamento. E há uma complicação enorme que precisa ser resolvida por Trump: devolver quase 200 bilhões de dólares que seu governo tomou do contribuinte americano. Em reais, isto significa mais de um trilhão de imposto cobrado indevidamente!
Foi neste cenário de deterioração econômica que os Estados Unidos provocaram uma agressão que está custando US 1 bilhão por dia em operações militares. Isto mesmo: um bilhão de dólares por dia. Isto, só nas operações militares.
O outro custo, ainda não avaliado em sua inteireza, está relacionado com o custo do petróleo. No dia anterior à guerra, o barril custava US$ 70.00. Nos dias seguintes, atingiu US$ 120.00. De lá para cá, vem oscilando, mas tem normalmente estado acima de US$ 100.00.
Ao que tudo indica, não baixará tão cedo, e pode até aumentar muito ainda. O Irã continua bloqueando a passagem de navios no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos não têm capacidade operacional militar para impedir este bloqueio sem piorar ainda mais a situação. Limpar as minas e remover destroços de navios poderiam levar meses, e até anos.
Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma passagem estreita no Golfo Pérsico, no Mar da Arábia. Por ele passam todos os dias, 20% da produção mundial de petróleo. Ou passavam, porque agora não estão passando. O Irã já destruiu umas duas dúzias de navios que tentaram passar por ali, levando petróleo. Eles só autorizam passar o petróleo destinado a países que não apoiam a agressão de Trump e Netanyahu.
Com isto, o petróleo está acabando, e o preço subindo. Quando o preço do petróleo sobe, tudo sobe: comida, transporte urbano e aéreo, agronegócio, aquecimento no inverno, produção de energia elétrica, preparação e conservação de alimentos. Agora meso, o mundo inteiro já sente este impacto.
Para amenizar a crise, os países estão liberando estoques estratégicos de petróleo. Tais estoques, porém, são limitados. Eles duram apenas uns poucos dias. Se a guerra continuar, os preços continuarão subindo. Uma alta de inflação, no mundo inteiro, será inevitável.
Como a guerra afeta o Brasil
Embora seja um grande produtor de petróleo, o Brasil não está isento da crise. São vários os motivos. A começar pelo petróleo. O Brasil tem baixa capacidade de refino de petróleo. Esta capacidade piorou quando o governo Bolsonaro vendeu as refinarias da Petrobrás. Portanto, o Brasil tem que comprar refinados, como óleo Diesel, gasolina e querosene.
Na venda de petróleo bruco e compra de refinados, há uma cerca compensação, pois se fica mais cara a entrada, também a fica mais cara a saída. Mas, este aumento nos dois sentidos não é suficiente para equilibrar as contas. Haverá aumento.
Para diminuir o impacto, o presidente Lula determinou a eliminação de alguns tributos federais. No entanto, os maiores impostos que incidem sobre os produtos de petróleo são estaduais, especialmente o ICMS. Estes só poderão ser baixados pelos governadores.
Mas, mesmo que o Brasil contorne o aumento do custo do petróleo, o impacto no custo de vida será inevitável. Todos os produtos importados, sem exceção, terão aumento. No mínimo, pelo impacto do custo do transporte em navios e aviões. Mas, na prática, será muito mais do que isto.
Uma guerra que os Estados Unidos não vão ganhar
Esta é uma guerra que os Estados Unidos não têm como ganhar. Não importa o que façam, vão perder. Já perderam. Seu prolongamento só fará com que percam mais. E as perdas serão políticas, militares e econômicas. Estão perdendo aliados, queimando petrodólares, destruindo suas bases militares no Oriente Médio, perdendo vidas.
Perdas políticas
Toda a Europa está incomodada com as ações de Trump e Netanyahu. Os europeus sentem que estão pagando um preço elevado por uma guerra que não é deles. Esta insatisfação foi claramente demonstrada e resumida pela primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Em discurso no senado italiano, no início da semana passada, ela deixou clara sua insatisfação. Disse que a Itália e o povo italiano não podem pagar pela decisão absurda de Trump de começar uma guerra sem sentido.
O pronunciamento de Meloni é particularmente significativo, não apenas porque se trata de uma personalidade reconhecida pelo discurso de extrema-direita, mas também porque era uma aliada de Trump de primeira hora. Até aqui, ela vinha concordando e defendo todas as ações de Trump. A guerra, porém, marcou um momento de virada.
Além disso, para tentar conter o preço do petróleo, Trump liberou as sanções do petróleo russo. Isto significa que a Rússia vai ganhar dinheiro com a guerra. Esta é uma coisa que apavora os europeus, que estão enfrentando os russos na Ucrânia.
Também internamente, a suspensão das sanções contra a Rússia traz também um problema para Trump. Os senadores americanos acreditam que a Rússia está fornecendo ao Irã, informações sobre a localização dos alvos americanos. Assim, eles culpam Trump por dar dinheiro para um inimigo que está ajudando a matar soldados e destruir patrimônio americano.
Também o fato de os americanos terem matado 174 meninas com um míssil Tomahawk disparado contra uma escola está causando profundo desgaste no moral americano. Pelo menos da boca para fora, nem mesmo o mais radical e extremista senador republicano admite que está certo matar crianças enquanto estudam.
Perdas militares
A primeira fraqueza visível dos americanos está na disparidade de potências: cada míssil iraniano que custa de trinta a quarenta mil dólares, está custado aos Estados Unidos e a Israel, de dois a três milhões de dólares. Ou seja, para cada dólar que o Irã gasta nesta troca de mísseis, os americanos gastam cem. A conta não fecha no lado americano-sionista.
A outra face são os drones Shahed, inteiramente projetados e produzidos pelo Irã, eles atingem até 2.500 quilômetros de distância, voam a baixíssima altitude, conseguem driblar radares, e podem levar uma carga explosiva de até 90 quilos. Podem se manter em vôo por até 24 horas. Os explosivos podem ser substituídos por equipamentos eletrônicos.
Como se não bastasse, eles podem ser lançados do chão, de caminhões, de navios; praticamente de qualquer lugar.
Estes drones baratos (de cinco mil a 50 mil dólares, dependendo da configuração) estão mantendo os Estados Unidos e Israel em alerta 24 horas por dia, 7 dias por semana. Muitos são destruídos, mas muitos alcançam seu objetivo.
Objetivos
Por falar em objetivos, Netanyahu e Trump estão contando e divulgando os mortos do Irã, mas ocultando seus próprios mortos. Isto é exatamente o que o Irã quer. Enquanto os atacantes matam pessoas, o Irã se defende atacando bases militares, bancos e empresas americanas. Eles não querem matar pessoas, eles querem fazer doer no bolso dos americanos.
Est-a funcionando, mas, mesmo que entrem no modo desespero, os iranianos têm um trunfo de última hora: minar todo o Estreito de Ormuz (veja desenho acima) e impedir, por muitos meses, a passagem de qualquer navio.
Desdobramentos da guerra
Os desdobramentos desta guerra são imprevisíveis. Trump e Netanyahu soltaram muitos demônios, e agora não sabem como voltar com eles para o interior da garrafa. A economia americana, que já vinha cambaleando, está em situação cada vez mais precária. Trump faz movimentos descoordenados, sem um objetivo definido. Suas mensagens confundem inclusive seus eleitores. Por exemplo, um dia ele diz que destruiu completamente os arsenais atômicos do Irã (que nunca existiram!); no outro dia ele diz que precisa manter a guerra até destruir os arsenais atômicos (que ela disse ontem que havia destruído!).
Um dia ele diz que o Estreito de Ormuz está aberto e tem passagem segura; no dia seguinte, ele diz que os marujos precisam ter coragem de enfrentar os iranianos, e que todos os países deveriam mandar seus navios para garantir a passagem pelo Estreito. Num dia ele diz que a guerra acabou, no dia seguinte ele diz que a guerra durará semanas, ou o tempo que for necessário!
Por tudo isto, vê-se que os desdobramentos não são positivos nem para o povo americano, nem para o mundo. Mas, até o momento, é possível ver dois países vitoriosos: a Rússia, que está faturando alto com o seu petróleo, e a China, que está ganhando mais aliados políticos e parceiros comerciais mundo afora. E mais: a China é um dos poucos países que ainda não deixou de receber petróleo regularmente.
ICMS: o que esperar dos governadores
O Brasil não ficará imune à guerra. Haverá aumento de preços. A inflação poderá subir. Mas, poderá haver também novas oportunidades de negócios, especialmente com a China e com a Rússia. Sem contar que a guerra fará subir também os preços das commodities brasileiras, como soja, milho, etanol, carne. Isto poderá robustecer as empresas que produzem para a exportação.
No entanto, neste momento, quem tem o maior poder de amenizar os efeitos da guerra no Brasil são os governadores. Primeiro, porque o ICMS é o tributo que mais pesa nos combustíveis. Sua retirada pelos governadores poderia compensar aumentos de até 30% ou mesmo mais, no preço para o consumidor final.
Também nas importações, o imposto que mais pesa é o ICMS. Assim, se os governadores tirarem o ICMS dos produtos importados, o consumidor não sentirá o aumento nesta área.
Finalmente, há a questão da fiscalização. Muito antes de a Petrobrás aumentar o preço da gasolina e do Diesel, os postos já estão cobrando um absurdo a mais. Os governadores têm os recursos necessários para fiscalizar e coibir estes abusos. Se quiserem. Até o momento, porém, parecem ter medo dos empresários. Preferem deixar o consumidor final pagar a conta.