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EUA dá bolsa-família de US$ 120 bi a 42 mihões abaixo da linha de pobreza

Há brasileiros criticando o bolsa família. Estas pessoas não sabem que os EUA dão vale-refeição a 42 milhões de pobres.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 19/03/2026 08:57
EUA dá bolsa-família de US$ 120 bi a 42 mihões abaixo da linha de pobreza
Assim como no Brasil, nos EUA há dezenas de programas equivalentes ao bolsa família, vale-gás, aluguel social. Só na bolsa-comida, o custo de é US$ 120 bilhões.
Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, 42 milhões de pessoas dependem do governo para ter um prato de comida por dia. O orçamento deste programa em 2026 é de R$ 120 bilhões de dólares (R$ 720 bilhões). Isto dá cerca US$ 270.00 por mês, por pessoa pobre.

O programa Bolsa Família é fica pequeno frente aos programas sociais do governo americano. Lá, eles gastam R$ 720 bilhões para dar alimentos a 42 milhões de pessoas que não têm dinheiro para comprar um prato de comida por dia. Aqui, nós gastamos R$ 158 bilhões para todos os benefícios do Bolsa Família. O número de beneficiados no Brasil sobe a 49 milhões.

Para matar a fome, o pobre americano custa R$ 1.500,00 por mês. O pobre brasileiro custa R$ 268,00.

Lá, desde 1935, os economistas sabem que o vale-refeição federal ajuda a economia a girar, além de tirar da fome absoluta milhões de cidadãos. Aqui, ainda tem gente que não entende a importância do bolsa-família. Nem como um programa que ajuda a economia a girar, nem como um programa de solidariedade humana, que impede que muita gente morra de fome.

História do vale-refeição americano

O vale-refeição americano sempre foi conhecido como food stamp, embora este nunca tenha sido seu nome oficial. Ele nasceu em 1935, com o programa conhecido como Aid to Dependent Children (Ajuda para Crianças Dependentes). Na mesma ocasião nascerem o seguro-desemprego e a aposentadoria para idosos. Dois anos depois foi criado o programa habitacional para pobres.

O Brasil só copiou o modelo americano mais de 80 anos depois, quando Lula criou o programa Bolsa-Família em 2003, por medida provisória. De lá para cá, vem passando por aperfeiçoamentos para corrigir desvios e assegurar a obtenção dos benefícios sociais pretendidos.

O Brasil é a 10ª economia do mundo e tem 49 milhões de assistidos. Os Estados Unidos são a maior economia do mundo, ocupando o primeiro lugar de forma isolada, e muito adiante das demais. Mesmo assim, eles têm 42 milhões de pessoas dependentes do vale-refeição para comer ao menos uma vez ao dia.

Do food stamp ao SNAP

Criado como Aid to Dependent Children (Ajuda para Crianças Dependentes), mais tarde o programa teve seu nome mudado para Aid to Families with Dependent Children (AFDC) ou Auxílio para Famílias com Crianças Dependentes). Embora tenha muitas semelhanças com o programa Bolsa-Família, o programa brasileiro é mais exigente, pois obriga as famílias a cuidarem bem das crianças. Especialmente, a mantê-las na escola e levá-las periodicamente ao posto de saúde. O programa americano não dedica a mesma atenção à proteção das crianças.

Em 1995, o presidente Bill Clinton reduziu os benefícios e mudou o nome do programa para Personal Responsibility and Work Opportunity Reconciliation Act (Lei de Reconciliação, Oportunidade de Trabalho e Responsabilidade Pessoal). 

A partir de 2000, o programa passou pela expansão de benefícios e mudou seu nome para SNAPSupplemental Nutrition Assistance Program (Programa de Assistência Suplementar de Nutrição).

Em 2025, o governo Trump reservou R$ 120 bilhões de dólares para a execução deste programa em 2026. Isto dá US$ 2.857 por ano, por pessoa beneficiada, ou U$ 238.00 por mês.

Considerando que, nos Estados Unidos, o salário mínimo nacional é de US$ 1.160, vê-se que a ajuda de US$ 238 por mês é pequena. Mesmo assim, livra os 42 milhões de americanos da fome absoluta, e ainda ajuda o comércio local, onde a maior parte do vale-refeição é gasto.

Programa Bolsa Família

File:Programa Bolsa Bolsa Família.png - Wikimedia CommonsO programa Bolsa-Família começou a tomar corpo em 2003, por medida provisória. Este ano (2026), o Bolsa-Família está atendendo a 19 milhões de famílias, ao custo de R$ 158,63 bilhões de reais (US$ 30 bilhões). O valor médio por família é de R$ 8.349,00, ou R$ 695,00 por mês. Considerando que cada família te, em média, perto de três pessoas, isto dá pouco mais de R$ 200,00 por mês, por pessoa. Um valor quase simbólico. No entanto, faz enorme diferença na vida das crianças que têm este adicional para comer.

Quem são os beneficiários do Bolsa-Família?

Dos 49 milhões de pessoas que são de alguma forma ajudadas pelo Bolsa-Família, 22 milhões são adolescentes e crianças. Um milhão são nutrizes e gestantes. Os demais são adultos e idosos. Igualmente importante: 15 milhões são mulheres que sustentam o lar sozinhas. Ou seja, ou foram abandonadas pelos pais dos seus filhos, ou têm maridos em condições de trabalhar.

Estes números mostram a relevância do programa para o presente e o futuro do Brasil.

Benefícios da educação e na saúde

O programa Bolsa-Família obriga que os pais mantenham as crianças na escola e se submetam a acompanhamento médico nas unidades de saúde. Isto traz benefícios óbvios para elas, e para o país. Quando as crianças vão à escola, eles recebem merenda escolar e recebem educação formal. Juntas, estas duas coisas ajudam a quebrar o círculo vicioso de famílias pobres e analfabetas gerarem mais filhos pobres e analfabetos.

A educação, por si só, melhora enormemente a saúde das pessoas. Mas, considerando que o Bolsa-Família exige que as crianças sejam acompanhadas pelas unidades de saúde, isto também contribui para a formação de uma geração mais saudável.

Visto sob esta ótica, o programa Bolsa-Família é um investimento ridiculamente pequeno para um benefício enorme do ponto de vista do nosso futuro.

Benefícios do Bolsa Família na Economia

Há quem não consegue ver o quanto o Bolsa-Família beneficia a economia. Especialmente a economia de base das pequenas cidades. É falta de parar para pensar um minuto. Vamos dar exemplos extremos para facilitar a compreensão.

Quando um milionário ganha mais dinheiro, ele não aumentará o seu consumo de arroz, carne, feijão, farinha, ovo, queijo, leite. Como milionário que já era, ele já tinha estas coisas a ponto de poder desperdiçá-las. Portanto, este ganho extra do milionário não ajuda a economia a girar.

Se for um empresário, ele pode até abrir novos empreendimentos e talvez gerar mais empregos. No entanto, este ganho será marginal. Além do mais, a probabilidade é que entre no mercado financeiro, onde o capital rende muito, mas não gera empregos.

Mas, quando a mãe pobre recebe o bolsa família, ela corre ao mercadinho para comprar exatamente estas coisas: arroz, feijão, farinha, ovo, leite, um naco de carne. Isto movimenta a economia de forma sólida, ampla e sustentada.

Podemos dizer, sem grande margem de erro, que os R$ 158 bilhões que o Governo Federal investe no Bolsa-Família retorna rapidamente em benefícios econômicos que beneficiam direta e imediatamente os pequenos produtores, os mercadinhos locais e os supermercados populares.

Fato, aliás, provado facilmente por dois aumentos constatados nos supermercados de periferia: um aumento considerável de compradores quando o Bolsa-Família é liberado, acompanhando de um aumento do valor do tíquete médio.

Tíquete médio, é qual o valor médio das compras efetuadas no supermercado. Ou seja, o total faturado, dividido pelo número de pessoas que compraram.

Capitalismo e pobreza

O capitalismo americano é a meca e o paradigma do capitalismo avançado. O que os 42 milhões de famintos que lá dependem do SNAP (vale-refeição), mostram é que, não importa quanta riqueza seja gerada e acumulada, ela é incapaz de eliminar a pobreza e for concentrada nas mãos de poucos. Os programas sociais como o SNAP e o Bolsa-Família, além de serem solidários, no sentido de tirarem a fome de quem mais precisa, também ajudam a movimentar a economia com a renda distribuída. É uma parcela minúscula, mas ajuda.

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