A desculpa para os Estados Unidos atacarem o Irã seria a ameaça que o país dos aiatolás representaria para os Estados Unidos. No entanto, todos os serviços de inteligência dos Estados Unidos e dos seus aliados da OTAN concordam que o Irã não tinha intenção nem capacidade para atacar os Estados Unidos. Além disto, estariam a anos de distância de conseguirem fazer uma bomba atômica (como Benjamin Netanyahu vem afirmando há mais de 20 anos).
Agora a guerra entrou no ponto que é mais favorável ao Irã. Uma guerra de desgaste. Assimétrica. Uma guerra que custa poucos milhões de dólares por dia ao Irã, mas está custando mais de um bilhão por dia aos Estados Unidos. Todos os países começam a sofrer com o preço do petróleo. A economia mundial está sofrendo um abalo como há muito não se via.
No meio de tudo isto, o Irã tem uma arma que os Estados Unidos não podem neutralizar: com seus mísseis, drones e minas, a Guarda Revolucionária Iraniana pode cortar o fornecimento de 20% a 40% de todo o petróleo do mundo. Se fizessem isto, mesmo que fossem varridos da face da terra, o mundo levaria de cinco a dez anos para se recuperar.
Trump criou para si (e para o mundo), o que os americanos chamam de "catch 22", e nós brasileiros chamamos de ficar entre a cruz e a espada.
Ironicamente, a única saída que Trump tem neste momento é mentir com mais força: dizer que ganhou a guerra, que fez um acordo excepcional com o Irã, que seu acordo trouxe a paz ao mundo e impediu o Irão de desenvolver sua bomba atômica. Mas, por enquanto, ele só parece disposto a executar a primeira parte: continuar repetindo que ganhou a guerra — embora continue pedindo aos países europeus que o ajudem a reabrir o Estreito de Ormuz.
No Oriente Médio, pegar fogo não é mera expressão; é uma dura e triste realidade.
