Ricardo Couto de Castro nasceu no Rio de Janeiro, em 1964. Estudiosa, aos 25 anos (1989) passou em primeiro lugar no concurso para Defensor Público do Estado. Três anos depois (28 anos), passou no concurso da magistratura do Rio de Janeiro. De lá para cá, exerceu a magistratura em diversas varas, viu-se promovido por merecimento, e em 2024 se elegeu presidente do TJRJ com 116 votos de 184 (63%).
Ao lado da sua carreira na magistratura, vem trabalhando como professor nas áreas do Direito há mais de 30 anos.
Ricardo Couto é formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e tem pós-graduação pela Universidade de Coimbra (UC), em Portugal. No magistério, suas áreas preferenciais de atuação são o Direito Administrativo, o Direito Constitucional e o Direito Ambiental.
Família
Ricardo Couto é casado e tem dois filhos. Mas, como um casal de Bom Despacho foi parar no Rio de Janeiro?
Dona Terezinha, a mãe do Ricardo, era professora. Filha do sô Benigno. Do que conservo na memória, eles moravam numa casa onde hoje é a Credesp, na Rua Faustino Teixeira. Uma casa com alpendre, um jardim, e um portãozinho. Ali eu tomava aulas de reforço com a Dona Marina, tia do Ricardo.
Dona Terezinha (que para nós era Tia Terezinha) era uma alma tão gentil e atenciosa que é difícil encontrar igual. Sempre educada, fala mansa, atenta. Uma figura inesquecível para quem teve o privilégio de conhecê-la.
O pai do Ricardo era o José de Castro, mas, em Bom Despacho, sempre foi conhecido como Juju.
Tio Juju era tipo bonachão, extrovertido, sempre alegre e brincalhão. Assim como Tia Terezinha, era uma alma boa e gentil. Sempre atento às necessidades da família e muito amoroso com meus avós.
Ainda menino, Juju começou a trabalhar como contínuo, no Banco do Estado de Minas Gerais. Ao longo da carreira, percorreu cidades de Minas, Espírito Santo e São Paulo. Assim, de cidade em cidade para atender às necessidades da carreira, acabou no Rio de Janeiro.
Foi assim que Ricardo, filho de família até então quase nômade, nasceu no Rio de Janeiro.
A chegada ao Governo do Rio
Mas, como um magistrado, que sempre mostrou certa distância da política partidária, chegou ao governo do Rio de Janeiro?
Faz algumas décadas que o Rio tem se notabilizado pela escolha de governadores de índole duvidosa. Duvidosa, ou francamente criminosa. Tanto que, nas últimas duas décadas, todos os governadores do Estado passaram temporadas na prisão. Cada prisão, ou cada condenação, é um novo capítulo nesta história triste para quem vê na política a arte de administrar cidades e o patrimônio público.
Assim, não é surpreendente que a ascensão do magistrado à cabeça do governo seja fruto de mais uma confusão. Confusão, aliás, que promete se arrastar.
Tudo começou quando o vice-governador, Thiago Gonçalves, renunciou para assumir o cargo de Conselheiro, do Tribunal de Contas do Estado. O Rio ficou sem vice-governador.
Na falta do governador e do vice, quem assume é o presidente da Assembleia Legislativa. Mas, em confusões que só o Rio de Janeiro é capaz de armar, o presidente da ALERJ, Rodrigo Bacellar, também havia sido preso e cassado.
Pois bem, Cláudio Castro respondia a processo de cassação por abuso de poder econômico e político. Com o julgamento marcado para o dia 24 de março, e a certeza da condenação, o governador renunciou no dia 23. No dia 24 sobreveio a condenação, mas, com a renúncia, a cassação já não fazia sentido. Restou a perda dos direitos políticos por 8 anos.
Assim, sem governador, sem vice, e sem presidente da ALERJ, coube ao presidente do TJRJ, Ricardo Couto de Castro, assumir o governo.
Mas, em tratando do Rio, a confusão continua
O normal seria a ALERJ escolher novo presidente, e este logo assumiria o governo para levá-lo até o fim do mandato. Mas, no Rio, mesmo as coisas mais simples são complicadas. A cassação do governador levaria a novas eleições diretas. Mas, com a renúncia, caberia à ALERJ fazer uma eleição indireta.
No entanto, como a ALERJ está sem presidente, primeiro seria necessário organizar a eleição do presidente. Ela foi feita, mas de afogadilho, e de forma tão irregular, que foi anulada pela justiça.
A confusão está estabelecida. Há assuntos sendo decididos na Justiça do Rio de Janeiro, e há assuntos sendo decididos no STF. E ainda falta o TSE resolver algumas pendências. Enquanto isto, Ricardo Couto continuará governando o Rio de Janeiro.
Quem sabe o filho de um casal bom-despachense consegue colocar um mínimo de ordem na gigantesca desordem que tem imperado no Rio de Janeiro?
28/03/2026 17:14
Só completando: o Bacelar foi preso novamente ontem e os crimes dele envolvem vazamento de informações para o Comando Vermelho e por atrapalhar as investigações contra o deputado estadual TH Joias.
28/03/2026 17:16
Além disso, a polêmica a respeito das novas eleições vão além do regimento interno da Câmara Municipal do RJ pois a legislação prevê que eleições indiretas (como na escolha do presidente da Câmara) só devem acontecer no período de seis meses antes das eleições e querem novas eleições diretas para o mandato tampão.
28/03/2026 17:21
Sinceramente, as confusões no estado do RJ são mais interessantes que a curiosidade vã de saber de onde são os pais do atual governador tampa-buraco. A volta da Lei Faroeste por exemplo aprovada na Alerj é um disparate descarado.
28/03/2026 17:43
Do ponto de vista político, sociológico, jurídico e até histórico, você tem razão. O caso do Rio é patológico, e por isto mesmo merece estudo. Mas, isto não impede que o assunto seja explorado como curiosidade de interesse para muita gente de Bom Despacho que conhece a família. Achei interessante o foco da matéria para um noticiário de interesse local.
28/03/2026 22:56
Um absurdo como é levada Política no RJ, A saúde, segurança; A vida levada sem o minimo de pudor. Vamos torcer pelo Governador RICARDO COUTO DE CATRO, filho de meus conterrâneos, homem provido de muita sabedoria. P Fidelis Pediatra Med Legista.