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Tribunal italiano decide que cidadania de Zambelli não impede extradição

Depois de zombar da justiça brasileira por ter cidadania italiana, Zambelli se vê ameaçada de extradição

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 29/03/2026 16:27
Tribunal italiano decide que cidadania de Zambelli não impede extradição
Zambelli se declarou "intocável" na Itália, mas a justiça italiana entendeu diferente: por ser italiana apenas "no papel", ela pode ser extraditada para o Brasil.
Após fugir do Brasil, em entrevista à Rádio CNN, a ex-deputada Carla Zambelli declarou que "como cidadã italiana, eu sou intocável na Itália. Não há o que ele [Alexandre de Moraes] possa fazer para me extraditar de um país onde sou cidadã. Então, estou muito tranquila com relação a isto" (veja trecho no vídeo abaixo).

A falta de proteção constitucional

Apesar da confiança de que não poderia ser extraditada, Carla Zambelli mostrou desconhecer tanto a Constituição Italiana quanto decisões anteriores dos tribunais italianos. Primeiro, porque a constituição italiana difere da brasileira. A nossa proíbe extradição de brasileiros em qualquer circunstância. Já a italiana, não proíbe de forma absoluta.

A cidadania apenas formal

Segundo, a justiça italiana já decidiu em casos semelhantes que a constituição não protege cidadãos que só têm cidadania formal. Isto é, de pessoas que não têm laços verdadeiros com a Itália.

Este é o caso de Zambelli: ela nasceu no Brasil, passou a maior parte da vida aqui, aqui tem família, desenvolveu suas atividades políticas. Ela não tem laços verdadeiros com a Itália.

Assim, com base nas disposições da constituição italiana, e considerando que a verdadeira cidadania de Zambelli é brasileira, a justiça decidiu que ela está sujeita à extradição.

A equivalência dos crimes

Ao julgar pedidos de extradição, a justiça verifica se o crime cometido pelo extraditando no país de origem é também crime no país que concede a extradição. No caso, o crime de Zambelli (invasão de sistemas informáticos) é crime também na Itália.

A lisura do julgamento

Finalmente, a justiça averígua se o julgamento que condenou a extraditanda seguiu o devido processo legal, com direito a defesa e contraditório, e foi levado a efeito pelo juiz natural. A justiça italiana reconheceu que sim.

Condições de cumprimento da pena

Como a defesa de Zambelli alegou que o presídio no Brasil não tinha condições de lhe oferecer segurança no cumprimento da pena, a justiça italiana oficiou ao STF solicitando esclarecimento a respeito do presídio onde a condenada cumpriria pena. O STF informou que ela ficaria na Colmeia, em Brasília. A justiça italiana considerou que as condições eram adequadas.

Aqui houve até uma ironia: ao tentar convence a justiça italiana de que os presídios brasileiros não tinham boas condições para recebê-la com dignidade, o contrário ficou demonstrado. A Colmeia é um presídio bem organizado, onde nunca houve rebelião, e não há superlotação gritante, como acontece na Rebibbia, presídio onde Zambelli se encontra. Lá há superlotação e faltam servidores, médicos, psicólogos. As presas têm atendimento pior do que no Brasil.

Portanto, também quanto a este item a justiça italiana reconheceu não haver impedimento para Zambelli vir cumprir sua pena no Brasil.

Próximos passos

A decisão desta corte não é final. Zambelli pode recorrer, o que já fez. Mesmo que o último recurso seja negado, a extradição só se consumará com uma decisão do Ministro da Justiça. É ele quem dará a palavra final.

Nos casos de extradição, a justiça decide se ela é legal e constitucional, mas é o poder executivo quem dá a palavra final. Por razões políticas ou ideológicas a extradição pode ser negada, ainda que todas as condições legais tenham sido atendidas.

No entanto, pesa contra Zambelli o acordo de extradição que o Brasil tem com a Itália. Graças a ele, o Brasil já recambiou mafiosos que se escondiam por aqui. Portanto, pelo princípio da reciprocidade, e em decorrência do acordo, é provável que o governo decida pela entrega de Zambelli ao Brasil.

Neste meio tempo, ela continua presa. Sua convicção de que "era intocável" na Itália mostrou-se errada.

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