Primeiro Mundo e Terceiro Mundo:
Há poucas décadas o mundo era politicamente dividido entre Primeiro Mundo e Terceiro Mundo, com a Europa, os Estados Unidos e o Japão no primeiro grupo e nós, brasileiros, no segundo. Atualmente, por razões, digamos, diplomáticas ou de elegância, passamos a nos autodenominar “Sul Global”. Não apenas eu, mas a maioria das pessoas, temos uma admiração muito grande pelos países Desenvolvidos. Por razões óbvias, ou seja, porque lá “tudo funciona” e aqui, nos trópicos, vigora a bagunça generalizada. Será?
País em desenvolvimento:
O Brasil já foi chamado de Subdesenvolvido, mas atualmente, sendo a oitava economia do mundo, esse epíteto não faz sentido. No entanto, está longe de ser chamado de país Desenvolvido. Como explicar esse paradoxo?
Somente depois de conhecer alguns países Desenvolvidos foi que entendi o significado desse merecido adjetivo. O verdadeiro Desenvolvimento não é determinado pela quantidade de indústrias e nem pelo tamanho do PIB, muito menos pela tecnologia de ponta. Aliás, tecnologia é o de menos.
O Desenvolvimento não está na economia do país:
Na verdade, eu percebi que o Desenvolvimento está determinado pela riqueza cultural, educacional e de visão de mundo, ou seja, o Desenvolvimento, o alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) está determinado pelo que vai dentro da cabeça das pessoas.
Só para dar um exemplo besta, se o cidadão joga um único papel de bala na rua, ele já é Subdesenvolvido. Se ele varre a sujeira da sua casa e a empurra para a rua, ele já é Subdesenvolvido. Se ele abandona sacolas de lixo na beira do passeio fora do horário de passagem do caminhão de lixo, ele já é Subdesenvolvido, se ele tenta furar uma fila ou levar uma vantagem indevida, ele já é Subdesenvolvido. Se ele não ajuda a cuidar e preservar jardins e logradouros públicos, ele é Subdesenvolvido.
Aliás, nos países Desenvolvidos, não apenas as ruas são tipicamente muito limpas, em razão da atitude dos cidadãos, como também as ruas, os passeios, as casas, os jardins, são todos bem cuidados. Uma das marcas registradas do Subdesenvolvimento é o abandono a que são deixados os logradouros públicos, especialmente nos bairros populares.
No Brasil, “político” é sinônimo de corrupto:
No Brasil, todos nós já temos programado na cabeça que político é sinônimo de corrupto. Isso faz parte do Subdesenvolvimento. Ao explodirem os escândalos envolvendo roubalheira de algum político, na hora vem a máxima na nossa cabeça: e daí? todos eles são.
Talvez a maioria de fato seja corrupta, mas muitos não são. Em lugar da gente parar de votar nos corruptos, a fim de que os honestos tomem conta, nós preferimos dizer que todos são iguais. Nivelamos por baixo. Isso justifica nosso próprio Subdesenvolvimento e, por que não dizer? nossa canalhice pessoal.
Entenda: se a maioria dos políticos são corruptos é porque nós também somos, tanto que continuamos votando neles, mesmo depois que são pegos.
Vamos para um exemplo real, concreto e próximo: um Prefeito Municipal aluga (não compra, aluga por alguns dias) uma casa de Papai Noel por quase 300.000 reais (preço de venda de uma casa boa), gasta mais de um milhão de reais para fazer decoração de Natal (não deveria gastar nem 50.000), entrega, de mão beijada, um milhão de reais para um Sindicato de Empresários ricos fazerem festa e lucrarem com isso, esse Prefeito não serve para mim. Ser Desenvolvido passa por não aceitar esse tipo de político. Eu não aceito.
Nosso IDH é lamentável:
Em suma, sendo o Brasil a oitava economia do mundo e possuindo uma economia pujante como possui, poderia ser tão bom ou melhor do que a Europa, no IDH e em outras coisas, até porque nós somos mais festeiros, mais simpáticos e mais sociáveis do que os europeus. O Brasil amarga uma triste 84ª. posição na escala de IDH do mundo, mas bem que poderíamos estar entre os dez primeiros. Para isso, basta mudarmos nossa visão de mundo e nossas atitudes, especialmente na hora de escolhermos nossos representantes na Administração Pública.