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O que é ignorância e o que é a burrice dos terraplanistas

Ser ignorante é um estado natural de todos nós; ser burro é escolha que os terraplanistas fazem.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 10/06/2026 10:32
O que é ignorância e o que é a burrice dos terraplanistas
Ignorar significa não saber, não conhecer, não ter conhecimento. Ser burro significa não ter inteligência, discernimento, raciocínio, lógica. Ignorância é superável, burrice não
Embora ignorância seja usado como ofensa, não deveria. Ignorância é o estado natural de todo ser humano. Nascemos ignorantes. Devagar, vamos aprendendo. Mas, há tanto para aprender, que morremos quase tão ignorantes quanto quando nascemos. Já burrice é diferente. Ser burro é ser refratário ao conhecimento. É não ter tirocínio, não ter capacidade de aprender; é sofrer de deficiência no raciocínio lógico; é ter a mente fechada. Os terraplanistas são ignorantes, mas a ignorância deles poderia ser vencida com estudos. O problema é que a maioria é ignorante e burra. A burrice torna é invencível e torna a ignorância um estado permante. 

Clique aqui para conhecer mais sandices dos terraplanistas.

Se você quer rir de absurdos, há duas fontes permanentes. A primeiira, são as crianças até seus cinco, seis anos. Elas são curiosas e estão tentando aprender tudo, sobre tudo que está à volta delas. Neste esforço alimentado pelas curiosidades, elas dizem coisas engraçadas, fazem raciocínios imperfeitos e nos fazem rir.

Os pais, com carinho e atenção, canalizam a curiosidade dos seus filhos para a aprendizagem. Explicam, mostram, conversam, corrigem. As crianças aprendem. Quase todas. Muitas se tornarão adultos mais espertos do que os pais.

A outra fonte permanente de absurdos risíveis (e algumas vezes irritantes) são os terraplanistas. Estes são adultos que perderam a curiosidade, não aprenderam nada, e pensam que sabem tudo sobre tudo. Quem não estiver na manada deles, é considerado imbecil. 

Para entrar na manada terraplanista, não custa muito. Basta não pensar e seguir o mais imbecil deles. O mais imbecil é aquele que, nas redes sociais, fala com convicção sobre as mais alucinadas teorias da Terra plana, acham que todos os cientistas são imbecis, que livros são inúteis, que professores são doutrinadores, que a história da humanidade começou no dia que eles nasceram.

A Esfera e os Rios que "sobem"

Houve uma novela de sucesso em que uma personagem dizia algo como "a cada mergulho, um flash". Assim são os terraplanistas, com uma diferença no bordão: a cada afirmação, um "frouxo de riso". É difícil conter o riso quando eles falam as bobagens que falam.

Uma delas é a "prova" de que a Terra não pode ser esférica, pois, se fosse, os rios teriam que "subir" a curvatura. A ideia é a tal ponto imbecil, que só mesmo gargalhando. Mas, mesmo soltando "frouxos de riso", eu me dei a trabalho de desenhar. Quem sabe assim eles afastam a escuridão que habita suas mentes?

O vídeo abaixo mostra um exemplo clássico de como os terraplanistas não pensam. Não entendem o mundo. Não dominam os conceitos mais básicos. Veja o vídeo abaixo para entender melhor o que vem depois. E não deixe de clicar aqui para ver outras explicação simplicifida dos erros que ele comete.

Em resumo, o terraplanista maluco acha que, na Terra esférica, o rio tem que "subir" a curvatura. Isto, é claro, jamais acontece. O rio sempre desce o relevo. Mas, se formos usar a forma imaginosa, mas burra, que os terraplanistas apresentam o rio na Terra esférica, o que acontece é o oposto: o rio despenca uma altura muito maior do que ele imagina.

No caso do Rio Amazonas, por exemplo, a queda será de 803.641,50 metros, e não os mixurucos 5.250 metros da Cordilheira dos Andes. Ou seja, estamos falando de 803 quilômetros de queda!

Veja os números no gráfico abaixo.

A Descina do Rio Amazonas no Relevo e na Curvatura

Para tristeza dos terraplanistas, e gáudio de nós outros, mostra num gráfico quanto o Rio Amazonas efetivamente desce. Mais abaixo, explico o gráfico. Observe e acompanhe. (Eu sei: se você for terraplanista, nem tentará acompanhar o raciocíonio. Afinal, este gesto exige leitura e interpretação, o que é impossível para um terraplanista)

O gráfico mostra a nascente a 5.250 metros acima do nível do mar. 0 zero está logo abaixo, na primeira linha de referência. mas, esta altura é tão pequena comparada com o raio da Terra, que nem dá para ver. (A altitude exatada da cabeceira do Rio é disputada. usei um valor aproximado que não altera a demonstração.)

A linha verde, tracejada, mostra a descida do Rio Amazonas de 5.250 m até o nível do mar. A queda é imperceptível visualmente pelo mesmo motivo: o número é muito pequeno, comparado com a curvatura da Terra.

A linha azul representa o tanto que o Rio desce (isto mesmo, desce!) acompanhando a curvatura. Espantem-se, terraplanistas: geometricamente, o rio desce não 5.250 metros, mas 803.651,5 metros!

Dá para acreditar?

Pois é. Nem um milímetro de subida. São 5.250 metros de descida pelo relevo, e mais 803.651,5 metros pela curvatura.

É bom notar que aqui estamos falando de curvatura, de geometria. Ou seja, na visão puratamente geométrica, o rio desce 153 vezes mais devido à curvatura do que devido ao relevo. Portanto, não existe esta besteira de rio ter que subir para depois descer. Isto é uma burrice terraplanista.

Outros rios

Apliquei os mesmos cálculos aos rios Mississippi, Colorado, Nilo, São Francisco, Picão e Reprua. Desta forma, os terraplanistas podem comparar os gráficos de rios que correm para o sul, para o norte, para oeste. Uns, no hemisfério norte, outros no hemisfério sul. Alguns longos, outros curtíssimos (o Reprua tem menos de 20 metros!).

Desta forma, os terraplanistas podem apreciar a diferença entre relevo e curvatura no caimento dos rios.

São Francisco

O Rio São Francisco cai 1200 metros desde a Serra da Canastra até sua foz, no Oceano Atlântico. Mas, considerando a curvatura, a queda geométrica é de 182.963,57 m.

Nilo

O Rio Nilo tem um perfil de queda geométrica semelhante à do Rio Amazonas. São ambos rios muito longos. No entanto, embora o perfil geométrico seja semelhante o Nito tem uma "queda" geométrica maior por ser mais longo do que o Amazonas (lembro que estamos falando em distância geodésica, não em distância efetivamente percorrida pelo rio com suas curvas e meandros).

Mississippi

O Mississippi é o maior rio americano, e corre de norte para sul. Como o comprimento dele é menor do que o Amazonas e o Nilo, a "descida" por causa da curva também é significativamente menor.

Colorado

O Rio Colorado corre essencialmente a sudoeste e sul. Embora nasça em altitude superior ao Mississippi, sua queda geométrica é menor do que a dele, pois seu comprimento geodésico é menor (pouco mais da metade).

O relevo do Paraná é relativamente baixo, pois cai 325 metros em 1785 quilômetros. Na média, é um rio de pouco desnível. Mas, considerando a curvatura, a queda geométrica ultrapassa 250 mil metros!

Picão

Calculei o perfil do Rio Picão para fins ce comparação com os demais, por dois motivos. O primeiro, é que é um rio curto, pois tem apenas 28 quilômetros em linha reta entre cabeceira e foz. O segundo é porque ele não deságua no mar, mas em outro rio. Desta forma, podemos comparar a queda geométrica num rio curto que nasce e morre acima do nível do mar.

Por ser curto, ele permite perceber que a influência da curvatura é pequena. no caso, apenas 63,21 metros de queda. Por isto a linha de queda da altitude (verde) se aproxima da linha de queda da curvatura (azul). Bem diferente do que acontece nos rios mais longos, vistos acima.

Reprua

Com apenas 200 metros de comprimento, o Reprua é considerado o menor rio do mundo. Como tem sua nascente a 27 metros de altitude, é considerado o rio com o maior gradiente (queda) do mundo, em termos proporcionais. Em distância tão curta, e com relevo tão abrupto, acontece o que vemos no gráfico: a queda do desnível se confunde com a queda da curvatura da Terra. Ou seja, esta se torna zero, para todos os fins práticos. Este rio só desce o próprio relevo.

Sumário

Não espero que os terraplanistas entendem estes gráficos e seus significados. No entanto, quem não é terraplanista, quem ainda pensa por conta própria, e quem tem capacidade de analisar gráficos pode perceber que os terraplanistas falam bobagens inacreditáveis, quando discem que se a Terra fosse curva, os rios como o Nilo e o Amazonas teria que "subir" a curvatura. Isto mostra que eles não entem nem o que é relevo, nem o que é curvatura. Menos ainda, entendem como os dois trabalham juntos.

Deixada livre, no seu estado natural, a água sempre desce, atraída para o centro da Terra. Só para de avançar, quando encontra algo que a impeça. Pode ser o fundo do mar, o fundo do rio, ou o fundo de um copo de vidro. Se não encontrar este impedimento, ela continuará descendo.

Os terraplanistas tentam explicar este fenômeno da atração gravitacional dizendo que a água "procura seu nível". Isto é besteira. Ela procura (é atraída) para o centro da terra.

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