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Por que Servidores Municipais pavimentaram o caminho para a fraude?

Artigo publicado neste JC há dois dias prova que vários Servidores da Prefeitura de Bom Despacho colaboraram na fraude.

Benício Por Benício, em 26/06/2026 14:44
Por que Servidores Municipais pavimentaram o caminho para a fraude?
O artigo publicado pelo ex-Prefeito Fernando Cabral mostra que a fraude no transporte escolar só foi possível porque 6 servidores elaboraram documento ideologicamente falso.

Por que os Servidores Municipais participaram das fraudes?

Quero aproveitar o gancho do excelente artigo publicado neste Jornal Comunitário, há dois dias, pelo advogado e ex-Prefeito Fernando Cabral, para divulgar o meu livro O ESTADO NO ESTADO (disponível no site www.amazon.com.br).

O referido artigo, que denuncia e faz a dissecação do método utilizado na fraude para a contratação do transporte escolar em Bom Despacho, intitulado Documento mostra que servidores pavimentaram o caminho para a fraude no transporte escolar, pode ser (re)lido clicando no link: https://www.jcbd.info/post/302/ .

O ESTADO NO ESTADO, Por que os Funcionários Públicos são indolentes?

Esse é o título do meu livro. Já quero advertir, imediatamente, que o subtítulo da minha obra é uma pergunta retórica, sendo verdade que os Servidores Públicos não são indolentes, porém carregam essa e outras famas nefastas, perante a opinião pública. Aliás, eu usei o verbete “Funcionário”, em lugar de “Servidor”, de propósito, já que “Servidor” é aquele que serve a população e não os interesses escusos.

No livro eu trato de tudo isso e de como funciona, de verdade, a administração pública no Brasil. Na prática, nenhuma das teorias existentes no Direito Administrativo se aplica à administração pública brasileira. No Brasil, o Direito Administrativo só existe nos livros. E explico a razão dessa divergência absurda, entre a lei e a prática. Como disse Polônio, em Hamlet, de Shakespeare, "though this be madness, yet there is method in't." (“isso pode parecer loucura, mas tem método”). O péssimo funcionamento do Serviço Público brasileiro tem método e atende a interesses muito claros, ainda que disfarçados.

O conceito de ad nutum, no Serviço Público:

Para facilitar a leitura do trecho reproduzido abaixo, considero importante decifrar a expressão latina ad nutum. "O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa traduz a expressão latina “ad nutum” indicando a sua origem como a junção da preposição “ad”, que significa “conforme” e o substantivo “nutum”, de “nutus, us”, que literalmente significa “aceno de cabeça [...] Popularmente, a chefia ad nutum é aquela que é preenchida pelo “critério de confiança”, tão conhecido dos servidores públicos brasileiros" [pg. 113 do meu livro]. Ou seja, o Chefe superior nomeia quem ele quiser.

Vamos à transcrição literal de trecho do meu livro.

Capítulo V – A Corrupção e o Estado de fato

V.7 – O Coronelismo e o Sistema de Sinecuras

Antes da Constituição Cidadã de 1988 a quantidade de Servidores sem concurso era descomunal. Dessa forma, por lógica elementar, para o concursado ter alguma oportunidade de ocupar chefia dentro do serviço público e para não ser perseguido ou menoscabado, também precisava se tornar um corrupto, ou pelo menos aceitar e se calar perante as práticas corruptas.

Esse estado de coisas é de uma gravidade tão imensa que o concursado se torna um bolha, um mequetrefe, um borra-botas, de medo dos chefes apadrinhados. Os concursados, que por serem concursados, seriam os únicos servidores que poderiam se opor aos desmandos dos chefes ad nutum, os quais, juridicamente falando, não são nada, pois não fizeram concurso, acabam por se encolherem por desconhecerem seu próprio poder. E o concursado passa a ser conivente com a corrupção e até pratica atos ilegais, para ficar bem e evitar confronto com os chefes ad nutum.

Na prática o concursado abre mão de seu poder legal, obtido por méritos próprios com sua nomeação no cargo que granjeou sem beijar a mão de nenhum Coronel. O servidor concursado não sabe, não tem a mínima ideia da importância e da força de seu cargo, que é seu por direito, enquanto que o chefe ad nutum, dono de um falso Poder, só está naquela posição até o seu superior menear a cabeça e ele voltar para a sua eterna e real insignificância.

O que vale um Secretário Municipal sem concurso, corrupto, nomeado por um Prefeito também corrupto, frente a um quadro de servidores municipais concursados? nada. Ele não vale nada, mas os concursados não percebem isso e favorecem os desmandos daquele Secretário.

[...]

Assim é com os Servidores Públicos brasileiros, especialmente os apadrinhados, que podem exigir propinas e benefícios ilegais livremente, mas têm que ser estupidamente submissos e leais aos poderosos e principalmente àquele que o indicou para o cargo. Diferente não será com o Servidor de Carreira, concursado, indicado para ocupar uma chefia, por critério de confiança. E, como esclarecido, o concursado que não ocupa chefia enfia a cabeça dentro do caracol e se torna um mequetrefe, um bolha. Tem medo.” [pg. 187 e ss.].

Os Servidores Públicos brasileiros não sabem a força que têm.

Do texto do meu livro se percebe que os Servidores Municipais desconhecem a força do Poder Legal:

Despiciendo ficar explicando o que já está muito bem explicado no trecho reproduzido acima. Quem se interessar pode adquirir o livro em www.amazon.com.br e o ler por inteiro, já que trato de todas as situações envolvendo a condição dos Servidores dentro do que eu chamo de O ESTADO (verdadeiro e ilegal), ou Estado de fato, dentro do ESTADO (legal, inexistente, mera ficção jurídica).

Fique claro, o medo do superior corrupto não afasta a responsabilização penal. Ao contrário, o Servidor tem o dever de denunciar as ilegalidades.

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Comentários (17)

Anônimo
Anônimo
26/06/2026 18:45

Parabéns pelo livro Benicio. Ja li!! Quanto ao artigo do ex-prefeito Cabral, sinceramente, precisa virar curso pra servidor publico municipal … muito bom o estudo dele. Dificil é digerir o que aconteceu na licitação do transporte. @staelgontijo

Benício
Benício
27/06/2026 06:43

Muito obrigado. TMJ.

Anônimo
Anônimo
26/06/2026 20:48

Um absurdo o que está acontecendo em Bom Despacho, com anuência da secretária de educação, superfaturamento de processo para o transporte escolar. Quem está ganhando?

Benício
Benício
27/06/2026 06:44

Absurdo. E, infelizmente, a Câmara Municipal é decorativa, ou melhor, é um peso morto que só aumenta os gastos.

Anônimo
Anônimo
29/06/2026 21:32

É até interessante o argumento "estabilidade x corrupção" mas a realidade não é tão simples. Os cargos de servidores estáveis nos últimos concursos da prefeitura de Bondês pagam muito abaixo de muitas categorias e do mercado de trabalho em geral.

Anônimo
Anônimo
29/06/2026 21:37

A ideia de que a estabilidade protege o serviço público não é válida pois, com salários baixos, servidores são compelidos a participarem de quaisquer organizações que ofereçam condições melhores tanto fora da prefeitura como lá dentro mesmo.

Anônimo
Anônimo
29/06/2026 21:42

Nessa situação, quem denuncia perde posições e são trocados frequentemente de setores pela administração com direito a "má fama" espalhada pelas "organizações" dentro do setor público, que não são poucas, e destroem a carreira de gente muito mais competente e trabalhadora.

Anônimo
Anônimo
29/06/2026 21:50

E numa cidade pequena onde todos se conhecem, as repercussões e represálias (desculpe pela aliteração) vão muito além de um medo psicológico e se estendem ao dia a dia. Esse é um problema que todo servidor, desde os que entraram nos últimos dez anos até os mais antigos, enfrentam.

Anônimo
Anônimo
29/06/2026 21:54

Junta-se a isso a política de enfraquecimento da estabilidade do serviço público onde os servidores passam por três anos de estágio probatório e podem ser demitidos caso não atendam aos requisitos impostos não pela melhor técnica mas pelos mesmos servidores de confiança.

Anônimo
Anônimo
29/06/2026 22:02

Enfim, os últimos cinco comentários são meus. Comentei dessa forma pois é ridículo ter que reduzir um assunto sério desses a alguns poucos caracteres, sendo que cada resposta dava outro texto ainda maior.

Benício
Benício
30/06/2026 10:25

Procurei comentar cada um, agora que tomei conhecimento. Concordo plenamente. Eu queria ter oportunidade de debater o conteúdo do meu livro O ESTADO NO ESTADO em fóruns mais abertos à participação de mais gente e com ampla divulgação. Isso não interessa aos "Poderosos" (o Poder Econômico, representado na Administração Pública pelos Administradores escolhidos a dedo).

Benício
Benício
30/06/2026 10:23

Felizmente existe o Poder Judiciário para corrigir essas arbitrariedades. E tem funcionado. Tanto é verdade que os ad nutum (Secretários e outros puxa-sacos) não têm coragem de praticar arbitrariedades descaradas contra concursados no Estágio Probatório. Não existe "demissão sumária" no Estágio Probatório. Precisa de "avaliação objetiva" e justificativa coerente, dentro de um Processo Administrativo com contraditório e amplo Direito de Defesa.

Benício
Benício
30/06/2026 10:20

Sim. Verdade. Mas, no dia que os Servidores Públicos descobrirem que eles têm o Poder nas mãos e que Prefeito (4 anos) e Secretários (ad nutum, demissíveis a qualquer tempo) não têm Poder nenhum, o Brasil passará a ter o melhor Serviço Público do mundo. É o que eu demonstro no meu livro O ESTADO NO ESTADO. Servidores Públicos do Brasil, uni-vos!

Benício
Benício
30/06/2026 10:18

É por aí mesmo. É isso que fala o meu livro. As pressões e ameaças são parte do enorme sistema que eu chamo de O ESTADO NO ESTADO. Ele está lá, é vivo e poderoso. Precisamos, nós brasileiros, lutar para destruir O ESTADO NO ESTADO. Então nós teremos o melhor Serviço Público do mundo.

Benício
Benício
30/06/2026 10:15

Infelizmente, nesse ponto não estamos de acordo. Não existe a menor relação entre "salários baixos" e "corrupção". Se existe alguma relação, ela é inversamente proporcional, ou seja, quanto MAIOR o salário, MAIOR a corrupção. No meu livro O ESTADO NO ESTADO há um Capítulo inteiro sobre corrupção. A corrupção é fomentada pelo poder econômico, pelas FIESP, AGRO e FARIAS LIMAS do Brasil todo. Os grandes empresários apóiam, fomentam e garantem a manutenção da CORRUPÇÃO, que só traz benefícios para eles.

Benício
Benício
30/06/2026 10:17

A estabilidade é importante para garantir que o Servidor execute o seu serviço sem ser demitido sumariamente. O que me garantiu no Serviço Público foi a estabilidade, porque fui muito perseguido. Por que fui perseguido? Porque não participei e nem aceitei a corrupção. Nos anos 1980 (quando entrei na Receita Federal) a CORRUPÇÃO era generalizada, a começar pelos Altos Escalões, em Brasília.

Benício
Benício
30/06/2026 10:12

A estabilidade dos Servidores Públicos, que a Direita já tentou destruir várias vezes, é a garantia mais importante para o povo brasileiro. Veja, como exemplo, o caso das jóias CONTRABANDEADAS pelo lamentável Presidente Jair Bolsonaro. Um Auditor-Fiscal barrou a entrada. Só não foi demitido porque é concursado. Eu, no meu tempo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, fui muito perseguido e achacado. Só não fui demitido porque era estável.