A Terra é um planeta. Como todos os planetas, ela tem um formato esférico. Não é uma esfera perfeita, mas uma esfera rugosa e achatada nos polos. Este formato é chamado de geoide.
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Provas da curvatura da Terra
Vinte e cinco séculos atrás os filósofos gregos desconfiaram que a Terra era esférica. Eles viram sinais da esfericidade observando os astros que nasciam e se punham, as casas do zodíaco, o giro das estrelas e a sombra arredondada, vista nos eclipses.
Esta desconfiança se tornou prova em 240 aC, quando Eratóstenes calcular o perímetro da Terra de forma engenhosa simples. O experimento está mostrado na imagem, com alguns arredondamos para facilitar a visualização.
Eratóstenes era bibliotecária em Alexandria e encontrou uma anotação, segundo a qual, no solstício de verão (do hemisfério norte), o sol iluminava o fundo de um poço. Isto significava que o sol está a pino e não gerava sombra.
No dia do solstício, Eratóstenes mediu o ângulo que a sombre fazia com um obelisco instalado em Alexandria. Ele encontrou aproximadamente 7º. Como ele sabia que a distância entre Alexandria e Assuã era de 800 quilômetros, ele calculou a circunferência da Terra usando simples regra de três, como mostrado abaixo.

De lá para cá, o raio da Terra já foi calculado inúmeras vezes, usando os mais variados métodos. As medidas atuais dão uma circunferência de 40.071 quilômetros no Equador. Isto mostra como Eratóstenes foi cuidadoso, pois na sua época, as distâncias eram medidas em passos!
Claro, a Terra já foi também fotografada do espaço por russos, americanos, franceses, japoneses, indianos, coreanos, chineses.
Mas, a demonstração de Eratóstenes ainda é das mais simples e elegantes, e pode ser repetida mais facilmente nos dias atuais, quando sabemos com precisão as distâncias entre cidades, e podemos pedir a conhecidos nossos para medirem as sombras em cidades diferentes e refazer os cálculos de Eratóstenes.
A Terra dos terraplanistas
Enquanto todas as pessoas normais sabem que a Terra esférica, os terraplanistas acreditam que ela é plana. Aí começa um problema curioso que separa mais ainda globistas e terraplanistas. Para os globistas, quatro fatos explicam uma porção de fenômenos:
- A Terra é esférica
- A Terra gira em torno de si mesma (rotação)
- A Terra gira em torno do Sol (translação)
- O eixo da Terra tem uma inclinação de 23,5º em relação à eclíptica
Estes quatro fatos permitem explicar, entre outros fenômenos:
- O dia e a noite
- As estações do ano
- O sol na meia-noite nos polos
- Os eclipses solares e lunares
- As fases da Lua
- O desparecimento dos navios que se afastam da costa
- O efeito Coriolis
- A construção de relógios de sol
- Funcionamento do GPS
- Funcionamento dos satélites de comunicação
- Criação de mapas com fotografias de satélite
- Internet via satélite
- A existência de antípodas
A Terra dos terraplanistas, porém, não permite explicar nada de disto. Aí, entram suas fantasias e alucinações. Eis algumas:
- O sol é pequeno, frio, e fica a poucos quilômetros da Terra
- O sol não é uma estrela, mas sim um holograma
- O sol nasce e morre no sul
- A Terra não tem um Sol, mas três sóis
- O polo sul não é um polo, mas uma barreira de gelo intransponível
- A Antárctica é uma Terra desconhecida, que é proibida à visitação, pois abriga civilizações subterrâneas
- Não existe Sol da meia-noite
A lista de tolices é grande, e contém uma complicação. Como os terraplanistas baseiam suas crenças em alucinações, e não em fatos, eles também não se entendem entre si. Não têm um modelo de Terra plana. Por exemplo, nem todos acreditam que há três sóis. Eles brigam entre si com relação a isto. Por causa disto, o grupo dos três sóis explica de forma diferente como acontece o dia e noite.
Os terraplanistas têm que negar a existência de satélites de comunicação, GPS, Internet por satélite, pois não há como fazê-los funcionar na Terra plana deles. Para não negar (pois são coisas óbvias demais), alguns encontram mais explicações alucinatórias.

Nesta Terra plana, os mares são contidos por paredões de gelo intransponíveis. O Sol e a Lua não existem de fato, mas são hologramas, ou luminares. A Lua não é iluminada pelo sol, mas tem luz própria.
Tudo isto parece piada, ou confusão de criança, mas não é. Os terraplanistas representam entre 2% e 7% da população de vários países. A maioria deles é formada por homens, pessoas com baixa escolaridade e tendência ao fundamentalismo religioso, especialmente entre cristãos.
Os antípodas
Antípodas pontos que se encontram em coordenadas opostas no globo terrestre. Por exemplo, a matriz de Bom Despacho está nas seguintes coordenadas:
Latitude: 19° 44' 13.84" S
Longitude: 45° 15' 07.46" O
Seu ponto antípoda está nas coordenadas:
Latitude: 19° 44' 13.84" N
Longitude: 134° 44' 52.54" E
Embora seja comum pensar que os antípodas do Brasil estão no Japão, ou na China, isto não é bem verdade. Este ponto, por exemplo, está no mar, na região das Filipinas. No ponto antípoda de Bom Despacho só há águas profundas, não há gente.
Como curiosidade, a distância entre dois pontos antípodas será sempre 20 mil quilômetros.
Mas, a questão é: os antípodas estão de cabeça para baixo?
A resposta curta, e só parcialmente verdadeira, é sim: os antípodas estão de cabeça para baixo. Mas, vamos qualificar esta resposta:
- Os antípodas estão de cabeça para baixo apenas um em relação ao outro. Ou seja, se você imaginar duas pessoas em pontos antípodas, os pés delas estarão mais próximos do que suas cabeças. Isto, é, estão pé contra pé. Como na imagem abaixo.
- Como o “de cabeça para baixo” é apenas uma pessoa (ou coisa) em relação à outra, podemos escolher qualquer uma para parecer “de cabeça para cima”, e a outra parecerá “de cabeça para baixo”.
- Cada pessoa, olhando para si mesma ou para seus vizinhos, jamais se verá de cabeça para baixo. Isto acontece porquê, para cada um de nós, ficar de cabeça para baixo significa ficar com a cabeça mais próxima do chão; portanto, com os pés mais distantes. Isto não acontece na esfera.
- O globo não tem lado para cima, ou para baixo. Você pode representá-lo na posição que quiser. É convenção, por exemplo, colocar o Polo Norte no alto dos mapas. Mas, isto é só convenção. Você pode colocar o Polo Norte onde quiser: para baixo, para os lados, em diagonal. Isto não importa. É como girar uma bola. Ela também não tem lado para cima ou para baixo.

Portanto, sim, um com relação ao outro — mas somente na imaginação — uma pessoa pode ver seu antípoda como alguém que está de cabeça para baixo.
Em vista das imagens acima, os terraplanistas perguntam e pedem:
- Por que eu não me sinto de cabeça para baixo?
- Por que vocês, globistas, não fotografam uma pessoa na Austrália de cabeça para baixo?
As duas perguntas mostram a infantilidade e o grau de ignorância que reina no mundo dos terraplanistas. Vamos, então, responder aos dois questionamentos:
Por que não me sinto de cabeça para baixo?
Primeiro, porque a Terra é gigante, e nós somos minúsculos. O diâmetro da Terra é de 12.742.000 de metros. Estamos falando de quase 13 milhões! Já as pessoas têm em torno de 1,70 metro de altura. Ou seja, seu diâmetro é mais de sete milhões de vezes maior do que a altura de um homem.
Além disto, com os olhos a 1,6 metro de altura, considerando um terreno totalmente livre de obstáculos, sem girar a cabeça, a pessoa enxergará míseros 19 quilômetros quadrados. Isto dá, mais ou menos, 10 quilômetros de horizonte e 5 quilômetros de distância (lembre-se: estamos considerando que o terreno é perfeitamente nivelado, sem montanhas, ou qualquer obstáculo visual).
Agora, compare estes 10 quilômetros de horizonte, com o horizonte terrestre de 40 mil quilômetros. De novo, não é nada.
Agora, vamos examinar a anatomia e a fisiologia humanas.
Temos três principais meios de avaliarmos nossa posição no espaço: o labirinto, os olhos e a propriocepção.
Labirinto
O labirinto é formado por líquido e gel que, ao se movimentar, nos indique a posição em que estamos. É como um nível de bolha, destes usados por pedreiro. Ele nos diz quando nosso corpo se inclina, vira de cabeça para baixo, se movimenta.
Olhos
Os olhos nos orienta com relação ao horizonte. Ele nos mostra se estamos olhando para cima, para baixo, se estamos de cabeça para baixo, ou inclinados.
Propriocepção
Finalmente, temos a propriocepção, que é a percepção que temos do nosso próprio corpo. Quando nos colocamos de cabeça para baixo, por exemplo, os intestinos, estômago, todos os órgãos e líquidos do nosso corpo afluem em direção à cabeça. Nós sentimos isto, e sabemos que estamos de ponta-cabeça.
Estes três sensores, trabalhando em conjunto, nos informam se estamos de pé ou não. Todos eles são controlados pela gravidade, esta força que nos atrai para o centro da Terra. Por isto, quando estamos na Terra (ou próximos dela), com os pés voltados para o centro da Terra, temos a sensação de estar de pé.
Estamos sempre de pé
Em qualquer lugar do mundo, a sensação é a mesma: se estivermos sobre nossos pés, sentimos-nos de pé, nunca de cabeça para baixo. Nenhum antípoda se sente de cabeça para baixo. A menos que esteja doente, seus órgãos sensores sempre lhe dirão que está de pé, não importa em que lugar sobre a superfície terrestre.
Por que os globistas não fotografam antípodas de cabeça para baixo?
Esta pergunta faz sentido na cabeça de uma criança. Vinda, porém, de um adulto, mais parece um caso de retardo mental. Mas, todos eles fazem esta pergunta. Sem medo do ridículo, insistem que a NASA nunca conseguiu fotografar uma pessoa, um navio, um avião de cabeça para baixo.
Por que será?
Voltemos às dimensões da Terra: ela tem um diâmetro de 12.742.000 de metros. Ou seja, quase 13 milhões. Para fotografá-la inteira, num filme de 35 mm (ou equivalente digital), com uma lente normal (50 mm), precisamos estar a 32 MIL QUILÔMETROS de distância da Terra. Para fins de comparação, a Estação Espacial Internacional está a apenas 400 km!
Desta distância, a Terra é representada no filme com uma imagem de 20 mm de diâmetro. Portanto, o fator de redução é de 637.100.000 (637 MILHÕES DE VEZES!).
Naturalmente, que uma pessoa na superfície da Terra sofrerá a mesma redução. Ou seja, temos que dividir 1,7 m por 637100000. Isto dá 0,000003 mm. Este tamanho é impossível de reproduzir em qualquer filme, seja ele dos antigos, seja ela nos sensores modernos. Aliás, ele nem chegaria ao sensor, pois as interferências da atmosfera e as limitações da lente óptica já impediria isto de acontecer.
Mas, vamos transforma este problema gigantesco num problema menor, mas ainda assim, insolúvel. Vamos pensar numa bola de futebol número 5, da FIFA, que tem 22 cm de diâmetro. Coloque sobre ela uma formiguinha doceira que tem 1,5 mm de altura. Afasta-se, e fotografe a bola inteira. O que aconteceu com a formiga?
Isto mesmo, a formiga desapareceu. E olha que estamos falando de uma diferença de escala de apenas 1.500 vezes, não de 637 milhões de vezes!
Dilema dos turistas
É comum turistas tentarem fazer fotos tão impossíveis quantos os terraplanistas. Ele ficam sob a Torre Eiffel, em Paris, e tentam tirar uma foto que pegue a torre inteira e os seus rostos, com detalhes identificáveis. Atualmente a torre tem 330 metros de altura. O turista mede 1,7 m. Para fazer a torre caber verticalmente na foto, sua imagem é reduzida cerca de 10 mil vezes. A pessoa, reduzida na mesma proporção, fica com imagem de 0,18 mm. Quando visualizada na tela do celular, ou impressa, esta imagem de 0,18 mm não detalhes suficientes. A pessoa desparece na paisagem.

Na foto da direita se pode ver o que aconteceria numa foto do espaço que tentasse fotografar uma pessoa na Terra. A pessoa ficaria visível, mas só seria possível ver alguns metros quadrados da superfície. Não daria nem mesmo para ver que era a Terra.
Na foto da esquerda foi usado um truque comum, que é aproximar o turista da Câmara e afastá-lo do monumento. Isto permite um compromisso. No entanto, não é possível fazer isto com o ser humano e a Terra, mostrando uma pessoa (digamos) nos Estados Unidos e outra de ponta-cabeça no Japão.
Portanto, quando o terraplanista pede como prova uma fotografia que mostre a pessoa de cabeça para baixo na Austrália, ele revela uma profunda ignorância sobre óptica e escala. A regra é inexorável: quando a escala permite aumentar o tamanho do objeto na imagem, ela restringe o entorno; quando ela permite aumentar o entorno (área representada), ela exige a diminuição dos detalhes do objeto. Quando a escala é de 1:637.100.000 não é possível representar nem as pirâmides do Egito, nem a muralha da China, muito menos um ser humano de cabeça para baixo.
Portanto, também no seu pedido de "provas" como esta, o terraplanista revela que não entende nada de nada.