Alerta

Corrupção na FIFA - Tem coisa que nunca muda

Todos os dirigentes da FIFA, desde Jules Rimet, sempre estiveram envolvidos em escândalos de diversas espécies.

Benício Por Benício, em 06/07/2026 11:57
Corrupção na FIFA - Tem coisa que nunca muda
Jules Rimet favoreceu a Itália de Mussolini, João Havelange e Sepp Blatter roubaram muito dinheiro e o atual, Infantino, interferiu na arbitragem para atender o Laranjão dos EUA.

O tempo não para:

Há algum tempo que o Brasil deixou de ser o “País do Futebol”, título inquestionável, até poucas décadas atrás. Atualmente é só uma orgulhosa lembrança na memória dos que, como eu, vivemos aqueles tempos.

Entretanto, algumas coisas nunca mudam. Por exemplo, a corrupção na FIFA, praticamente desde quando foi fundada. Essa persiste, firme e forte.

O primeiro dirigente da FIFA com projeção mundial foi o francês Jules Rimet que, modestamente, ofereceu o seu nome para batizar a primeira taça, ganhada pelo Brasil no tricampeonato de 1970.

Jules Rimet nunca esteve envolvido em escândalo de corrupção, porém, favoreceu descaradamente a Itália, na Copa do Mundo da Itália, de 1934. A Itália vivia o horrendo fascismo e era governada pelo execrável criminoso de lesa-humanidade, Benito Mussolini. Até mesmo a arbitragem foi manipulada a favor da Itália. Jules Rimet era um dirigente monocrático, centralista e autoritário e implementou todas as “demandas” de Mussolini. A propósito, a Itália se sagrou campeã da Copa da Itália de 1934, com a ajudinha de Mussolini e Rimet.

Depois veio o brasileiro João Havelange de detestável lembrança:

Na minha juventude o Presidente da FIFA era o brasileiro João Havelange. Até o fim de seu mandato esteve envolvido em um monte de escândalos de corrupção e manipulações. Colocou o genro, Ricardo Teixeira na presidência da CBF e no Comitê Executivo da FIFA. Esse também nunca foi flor que se cheire.

João Havelange e Ricardo Teixeira embolsaram milhões de francos suíços de propina grossa, relacionada com a venda de direitos de transmissão de jogos.

Depois de João Havelange veio o suíço Sepp Blatter, tão ou mais corrupto quanto seu antecessor. A corrupção deslavada de Blatter envolveu até mesmo pagamento de propinas para o ex-craque francês Michel Platini, então Presidente da UEFA.

O FIFAgate, José Maria Marin e Marco Polo del Nero:

Nesse imbróglio da corrupção de Sepp Blatter, intitulado FIFAgate (alusão ao escândalo de Watergate, que derrubou o Presidente Nixon, dos Estados Unidos) ainda estavam envolvidos até o pescoço os brasileiros José Maria Marin e Marco Polo del Nero. Ambos receberam milhões em propinas, sendo que Marin foi preso, julgado e condenado nos Estados Unidos. Del Nero nunca mais saiu do Brasil para evitar a extradição para os Estados Unidos, onde estava indiciado e seria condenado e preso também.

Donald Trump age como Benito Mussolini e Infantino age como Jules Rimet:

Aí chegamos no ítalo/suíço Gianni Infantino, sucessor de Blatter na presidência da FIFA. Até o presente momento não existem escândalos de corrupção financeira envolvendo Infantino. Não obstante, hoje foi divulgada uma notícia assustadora, que não deixa de ser um tipo de corrupção, ainda que política, por parte desse dirigente da FIFA.

O mercurial, inconsequente e irresponsável, Presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, ligou pessoalmente para Infantino e determinou que a FIFA cancelasse o efeito disciplinar da expulsão, com cartão vermelho, do jogador Folarin Balogun, da Seleção dos Estados Unidos, no que foi prontamente atendido por Infantino. Balorun foi expulso na partida EUA x Bósnia-Herzegovina. Ele, como manda a regra, deveria cumprir suspensão automática no jogo de hoje, contra a Bélgica, entretanto, em razão da intervenção ilegal de Trump, poderá jogar normalmente. Isso é corrupção, ainda que não envolva repasse de dinheiro e, ademais, cria um favorecimento inaceitável para a Seleção dos Estados Unidos.

A grande ironia, Folarin Balogun não nasceu e nunca morou nos Estados Unidos:

A ligação telefônica do Laranjão mercurial, além de ser um ato vergonhoso e despudorado, que suja mais uma vez os nomes dos Estados Unidos e da FIFA, contém também uma grande ironia. Trump já provou várias vezes que é racista e odeia imigrantes, apesar da esposa dele, Melania, ser imigrante, originária da Iugoslávia. O jogador Folarin Balogun, que é negro, não nasceu nos Estados Unidos e também nunca residiu naquele País. Balogun possui a cidadania estadunidense porque o seu pai, de origem nigeriana, nasceu em Nova York, o que garantiu a cidadania para o filho.

Folarin Balogun tem raízes diretas na Nigéria, mas nasceu na Inglaterra e sempre residiu naquele país (na verdade, Reino Unido). Atuava no futebol inglês, quando vislumbrou a possibilidade de entrar na Seleção dos Estados Unidos para disputar a Copa do Mundo, já que na Inglaterra a concorrência é forte.

A corrupção na FIFA continua numa boa:

Ou seja, parafraseando o jingle famoso daquele antigo comercial de televisão: “o tempo passa, o tempo voa, mas a corrupção na FIFA continua numa boa”.

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