Futebol e Política não se misturam:
Essa é uma das frases mais imbecis e mentirosas que já ouvi na minha vida. Se você, prezado leitor, disser que futebol, ou esporte em geral, e política não se misturam, vou chamar você de naïf. No mínimo.
¡Dale España!
Na grande final da Copa do Mundo irei torcer para a Espanha. Sem sombra de dúvida. E o motivo não é o esporte nem a qualidade dos atletas, mas sim a tarimbada, vetusta e mui venusta, Política. Hoje, eu tenho vários motivos para torcer para a Espanha, contra a Argentina [entre eles a antiga rivalidade com nossos Hermanos], mas tenho um, principal, e que fala mais alto: Milei. Eu jamais torceria para um país que elege um sacripanta, mequetrefe, ultradireita, neoliberal e jusicida (matador de direitos trabalhistas e da cidadania), como esse famigerado Javier Milei.
CBF e FIFA são organizações privadas:
Todo mundo sabe que a CBF e a FIFA são organizações privadas, sem qualquer relação formal com Governos. Mesmo assim os cidadãos tendem a misturar a Seleção de Futebol com a Pátria. Nada de errado nisso e prova, mais uma vez, que futebol e política estão figadalmente ligados.
Nada obstante, tanto a FIFA quanto a CBF sempre se alinharam e se imiscuíram com Governos ditatoriais e de direita, como a FIFA voltou a fazer agora, ao anular o cartão vermelho do jogador da Seleção dos EUA, Folarin Balogun, para atender a um pedido direto do laranjão de direita, Donald Trump.
Sobre essa mistureba inescrupulosa, leia o meu artigo anterior neste JC, clicando no link: Corrupção na FIFA.
“Brasil, ame-o ou deixe-o”:
Em 1970 o Brasil ganhou, pela terceira vez, a Copa do Mundo. Nas duas primeiras vezes, 1958 e 1962, o Brasil vivia uma Democracia, com Presidentes eleitos pelo voto direto do povo. Já em 1970 o Brasil vivia uma sanguinária, assassina e torturadora Ditadura Militar. O presidente Ditador da época era o mais sanguinário de todos os Generais-Ditadores, Emílio Garrastazu Médici. Pelé foi recebido e apareceu em público ao lado de Médici, o qual não se furtou a usar a fama da Seleção de Futebol para se promover, descaradamente.
Foi na oportunidade que a Ditadura sanguinária forjou a famosa frase, que repercutiu no Brasil todo: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Era como se a Seleção Brasileira fosse a própria Ditadura sanguinária e, se você não apoiasse o Governo Ditatorial, então você não podia torcer pela Seleção Brasileira e era mandado embora do seu próprio país.
O fundo do poço tem um alçapão. Em 1977 Pelé caiu na bobagem de dizer que não deveria haver eleições diretas para Presidente, porque "o povo brasileiro não sabe votar". Pelé, se metendo em política, sabia o enorme peso de suas palavras, em razão de ser um ídolo do povo.
Em 1970 eu era um adolescente de 12 anos de idade:
Observem a gravidade e a sujeira desse slogan que a Ditadura sanguinária criou, o "Brasil, ame-o ou deixe-o". Eu era, na época, um adolescente de 12 anos de idade e aquela frase me impressionou muito. Era óbvio para mim que, se eu não amasse o Brasil, ou seja, se eu não torcesse pela Seleção, então eu era antipatriota. Só que o Brasil que a Ditadura sanguinária queria que eu amasse era o Governo ilegítimo, golpista, assassino. Tenho certeza que essa mesma sensação perpassou a consciência e o sentimento nacionalista da grande maioria da população.
Em inglês isso se chama Foul Play, ou seja, JOGO SUJO! Só fui capaz de entender isso anos mais tarde.
Racismo explícito da torcida argentina:
E para piorar, a torcida argentina, os chamados hinchas, tem, desde os primeiros jogos da Copa do Mundo, protagonizado lamentáveis espetáculos ostensivos de racismo. Os jogadores da Argentina, entre os quais Messi, se mantêm calados, coniventes com essa barbaridade, esse crime de lesa-Humanidade.
¡Dale España!
Como se costuma dizer, sou Espanha desde criancinha. E exclusivamente por motivos políticos.
Se você persistir em dizer que esporte e política não se misturam, vou persistir em qualificá-lo como naïf, para não ficar mais feio.
18/07/2026 19:57
Espanha desde criança
18/07/2026 22:56
👏👏👏👏👏