Alerta

Privatiza que encarece e piora

Se quer que um serviço público piore (muito) e fique mais caro é só privatizar. Nunca falha.

Benício Por Benício, em 24/07/2026 11:03
Privatiza que encarece e piora
Ontem um trem paulista pegou fogo e fez parar três linhas, bagunçando o já caótico trânsito de São Paulo. Felizmente sem vítimas. A linha havia sido privatizada 3 dias antes.

Quer piorar e encarecer os serviços? privatiza!

Ontem, em São Paulo, 3 dias após a privatização, um trem pegou fogo e os passageiros, às 4 horas da madrugada, se viram obrigados a caminhar nos trilhos, na escuridão total (usando as lanternas dos celulares), em busca de uma estação para se abrigarem.

A rigor, o que foi feito pelo governo de São Paulo, do desgovernador privatista Tarcísio de Freitas, não foi uma “privatização”, mas sim uma “concessão” por 25 anos. No fim das contas, dá no mesmo, o objetivo é dar lucros para empresários “amigos” e financiadores das campanhas dos políticos privatistas. Ou melhor, para os empresários “amigos” a “concessão” é bem melhor, porque nem precisam desembolsar nada, só precisam arrecadar os lucros vindos do patrimônio que é nosso.

A empresa privada Trívia Trens arrematou 4 linhas para arrecadar altos lucros:

Em uma licitação feita ainda no corrente ano, a Trívia Trens ganhou a concessão das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade (as três que ficaram paradas depois do incêndio de um trem na Linha 11-Coral) e mais o Expresso Aeroporto.

Todas essas linhas eram operadas, até quatro dias atrás, sem qualquer tipo de problema, pela CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, empresa pública pertencente ao Governo de São Paulo, proprietária das linhas. Ou seja, as linhas pertencem ao povo paulista.

Assim que a operação das linhas foi entregue para a Trívia Trens, os problemas de atrasos e desorganização começaram a surgir, até que ontem um incêndio fez parar as três linhas acima indicadas.

A ironia: a operação volta para a CPTM:

Após o incidente de ontem, que não teve vítimas, mas poderia ter tido, inclusive fatais, por expressa determinação da ARTESP – Agência de Transporte do Estado de São Paulo, a CTPM volta a operar as linhas concedidas, por pelo menos 90 dias.

Moral da história: se quer que as coisas funcionem, deixem nas mãos do Estado. Se privatizar, estraga, porque empresário só quer lucros fáceis e está pouco se lixando para a qualidade de vida dos trabalhadores e das pessoas mais pobres.

Será que a Trívia é a culpada pelo incêndio?

Não é esse ponto que está em jogo na presente análise. Até que as investigações apontem as causas do incêndio, não tem como dizer que alguém é culpado. Muito menos a Trívia. Entretanto...

Entretanto, e agora é fato, o Diretor-Presidente da ARTESP, André Isper, declarou publicamente que a Trívia não soube administrar corretamente a crise gerada pelo acidente, demonstrando absoluta [palavra minha] incapacidade técnica. Falo e repito, empresário quer lucro e não qualidade de serviço prestado. Que sirva de lição para quem, exceto os políticos ligados aos empresários, ainda defende as privatizações.

Se quer piorar os serviços e aumentar os preços, basta privatizar.

Ironizando o privatista Tarcísio de Freitas, eu bato o martelo, ou, como dizem os Advogados nos Estados Unidos, I rest my case.

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Comentários (2)

Anônimo
Anônimo
24/07/2026 11:25

Pois é, e tem brasileiro que depende dos serviços públicos (SUS, educação, creches, transporte, etc) e vota em políticos de direita que defendem e promovem a destruição destes serviços através da privatização. Mais que piorar e encarecer, destroem.

Benício
Benício
24/07/2026 15:30

Exatamente. É muito difícil levar as pessoas a criarem consciência política. A Direita possui todos os mecanismos de mídia e de dominação para impedirem esse processo de aquisição de consciência. Pobre de direita é suicida.