Alerta

Dívida do Brasil tem o melhor perfil das 10 maiores economias do planeta

As grandes economias têm grandes dívidas. A do Brasil é comparativamente modesta.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 03/09/2026 09:26
Dívida do Brasil tem o melhor perfil das 10 maiores economias do planeta
A dívida brasileira vem sendo atacada por prova de fracasso da economia. No entanto, nossa dívida é de boa qualidade, não é excessiva e pode ser rolada com tranquilidade

Economistas da Faria Lima e ativistas das redes sociais têm atacado a dívida brasileira como indício de má gestão. No entanto, na história da humanidade, as dívidas públicas nunca foram sinal de fracasso. Tanto que as dez maiores economias do planeta são altamente endividadas. Nos últimos séculos, quase sempre foi assim. O alarmismo das redes sociais é injustificado e mostra ignorância extrema de como a dívida funciona. Em especial, quando ela é ruim, e quando ela é boa.

Dívida do Brasil comparada

Nas redes sociais, pessoas sem conhecimento de economia, repercutem o alarmismo disseminado pelos economistas contratados pelos banqueiros e financistas da Faria Lima. O coro é orquestrado e uníssono: o Brasil está quebrado. A dívida pública é enorme! Estão acabando com o Brasil!

O problema deste alarmismo é que ele é mentiroso, desrespeita a realidade e mente sobre fatos. O Brasil não está quebrando. Em 2025, nossa economia foi a quinta que mais cresceu no mundo. Em 2026, estamos seguindo na mesma direção de crescimento destacado (embora mais modesto).

O desemprego está próximo de atingir a menor taxa da história, e o comércio varejista está crescendo forte, com investimentos de bilhões na expansão dos depósitos para vendas online.


Vendas online

Aqui é necessário chamar a atenção dos desatentos: sim, o comércio local está sentindo a concorrência. É difícil vencer os preços competitivos oferecidos pelas vendas online. Mas, uma coisa é reconhecer o fechamento de comércio local, outra coisa bem diferente é concluir que o comércio varejista está em crise. Não está!

De fato, grandes empresas de comércio varejista, como Amazon, Mercado Livre, Shopee, Ali Baba, Magalu, estão de vento em popa. Todas estão fazendo investimentos bilionários na expansão dos seus negócios.


O Brasil era a 11ª economia do mundo. Em 2025 passou para a 10ª posição, e as previsões são de que, este ano, galgará mais uma, passando à 9ª posição. Isto indica que estamos crescendo bem. Na verdade, o Brasil é o 5º país que mais cresce no mundo. Uma posição invejável.

Estes fatos, por si só, mostram que o Brasil vai bem.

Agora, falando especificamente da dívida, a comparação também nos coloca numa posição invejável. Afinal, das 10 maiores economia do mundo, o Brasil é o país que tem a menor dívida em relação ao PIB. E, com uma grande vantagem, que nem todos os países têm: nossa dívida é interna. Com relação à dívida externa, temos uma vantagem (um excedente) de US$ 330 bilhões. Um saldo que nos deixa bem folgados.

O comparativo pode ser verificado na imagem abaixo:

Em seguida, uma explicação sucinta do que é a dívida pública.

O que é a dívida pública?

Muita gente fala em dívida pública, mas não sabe o que é. No entanto, é simples: dívida pública é dinheiro que o governo deve. Ele pode dever aos servidores públicos (salários não pagos), aos aposentados (salários futuros), a banqueiros (contratos de empréstimo), indenizações (precatórios), apossamento de imóveis (desapropriação), títulos mobiliários (letras do Tesouro Nacional).

Quando vence a dívida pública?

Algumas destas dívidas são de curto prazo (seis meses, um ano, dois anos) e outras são de longo prazo, como muitos contratos e títulos mobiliários (dez anos, vinte anos, trinta anos).

O que é uma dívida boa?

Numa família, dívida boa é aquela que pode ser paga que traz benefícios permanentes para a família. Por exemplo, a compra da casa própria, para pagar em 15 anos.

No governo, dívida boa é aquela que pode ser paga ou rolada, e que traz benefícios permanentes para o país. Por exemplo, a construção de uma usina hidrelétrica, a construção de hospitais e escolas, a alimentação das crianças.

A difença entre a dívida da família e do governo é que o governo pode rolar a dívida. Isto é, pode fazer dívida nova para pagar a dívida antiga. Isto não indica nenhum grande problema. No entanto, em se tratando de dívida da família, isto indica problemas.

Seja como for, é importante notar que o governo sempre pode rolar sua dívida, especialmente se for interna.

O que é dívida interna?

Dívida interna é aquela que o governo deve a seus próprios cidadãos ou a instituições bancárias e agências nacionais, em moeda nacional. 

É diferente de dívida externa, que acontece quando o governo deve a cidadãos ou instituições de outros países, e em moeda de outros países.

Uma característica marcante que separa a dívida interna da externa é que a primeira, a) não quebra o país nunca; e b) quando paga, ajuda a aquecer a economia. Já a dívida externa pode quebrar o país e, quando paga, tira dinheiro da economia.

Não significa que a dívida externa seja sempre indesejável, mas sim, que ela exige controles redobrados, e tira muito poder das mãos do país devedor.

A dívida brasileira é interna

A dívida brasileira é essencialmente interna. Na verdade, em termos de dívida líquida, o Brasil não tem dívida externa. Ele tem crédito. Por quê? Nosso país deve cerca de US$ 67 bilhões, mas tem US$ 397 bilhões em caixa. Na prática, não existe dívida externa.

Sendo nossa dívida líquida totalmente interna, ela não representa nenhum perigo de quebra para o país.

Portanto, como o Brasil é credor internacional (tem US$ 330 bilhões de dólares "sobrando"), e sua dívida líquida é estritamente interna, em reais, dizer que a economia está sob risco é uma impropriedade tão notável que só economistas da escola de Chicago, empregados por banqueiros e rentistas da Faria Lima pode, têm coragem de dizer.


A Escola de Chicago tem uma linhagem de economistas que defende, a ferro e fogo, e contra todas as evidências, que os governos não podem ter dívidas e devem limitar a emissão de moeda. Com isto (acreditam eles), a inflação some, a economia cresce, a renda é distribuída, e todos ficam felizes para sempre.

Tudo bonito e simples. Só há um problema: nunca funcionou em nenhum lugar do mundo! Aliás, funcionou, parcial e temporariamente, com elevado custo social e humano, enquanto o povo tinha alguma reserva. Aumentou a concentração de renda, e atraiu as crises dos anos seguintes. Por exemplo, os governos Reagan nos Estados Unidos, e Thatcher, na Inglaterra, na década de 1980).


É hora de lembrar a estes economistas, e seus seguidores leigos das redes sociais, que a simplificação exagerada da Escola de Chicago nunca se sustentou, e não se sustenta. Eles têm sido consistentemente derrotados pela história do mundo, em especial pela história do Brasil.

Isto não equivale a dizer que não tenham argumentos bons para propor o controle da expansão monetária ou crescimento da dívida. Sim, ambas as coisas, como tudo na vida, tem limites. No entanto, o reducionismo deste monetarismo grosseiro não tem suporte na realidade da economia mundial.

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Comentários (1)

Anônimo
Anônimo
03/09/2026 16:22

Esse papo de "o Brasil está quebrado" não passa de propaganda de neoliberal. Os caras estão ganhando dinheirro a rodo e ficam fazendo campanha contro o governo brasileiro.