Alerta

Trump faz compra de votos em rede nacional

Ontem, o Presidente Trump declarou, em rede nacional, que dará 5000 dólares para cada adulto, por votos em Republicanos

Benício Por Benício, em 10/09/2026 15:12
Trump faz compra de votos em rede nacional
Os Republicanos fizeram uma convenção partidária ontem e, descaradamente, o Presidente Trump, na certeza da impunidade, ofereceu comprar votos por 5.000 dólares.

EUA podem ter muitas coisas boas, mas o sistema eleitoral fede:

Os Estados Unidos, país mais rico do mundo (prestes a perder essa posição para a China Socialista) e a maior potência militar do globo (mas que não consegue manter uma guerra contra um país de muito menor importância, como o Irã), costuma ser indicado, principalmente pelos bolsonaristas, como um modelo a ser seguido. Será?

Militarmente, os Estados Unidos já foram humilhados por países como o Vietnã, a Coréia, o Afeganistão, Líbano e Somália. Mas, não é só isso. O poderio militar é usado para ameaçar e colocar outros países de joelhos, sem nenhuma justificativa que não seja o imperialismo.

It stinks:

Deixemos a questão militar de lado e vamos ao que me interessa aqui, a questão eleitoral. Para quem sabe inglês, nos Estados Unidos existe uma gíria que qualifica uma coisa ou situação muito ruim, péssima, que não funciona, traiçoeira, nefasta. A expressão é “it stinks”. Literalmente, quer dizer “isso fede”. Sobre as eleições dos Estados Unidos, nada mais certo a dizer que “it stinks”.

Desde sempre os Estados Unidos cobram dos demais países que façam eleições diretas para Presidente da República. Para começo de conversa, segundo o princípio internacional da autodeterminação dos povos, isso é questão particular de cada país. Os demais não podem se meter.

Dezenas de países não têm eleições diretas e vivem uma democracia plena. Nos países parlamentaristas, como é o caso da grande maioria dos países da Europa, o Chefe de Estado, o verdadeiro governante, não se submete a eleições diretas. O mesmo vale para o Japão e muitos outros.

Não existem eleições diretas para Presidente nos Estados Unidos:

Entretanto, essa não é a minha preocupação aqui. A minha preocupação é que alguém senta em cima do próprio rabo e fala do rabo do outro. Nos Estados Unidos nunca existiram eleições diretas para Presidente. Lá, as eleições são indiretas. Quem elege o Presidente não é o povo, mas sim o colégio eleitoral. A montagem do colégio eleitoral envolve um processo bastante complexo e ele também não é, rigorosamente, eleito por eleições diretas.

Cinco Presidentes dos EUA perderam no voto popular:

Ao todo cinco Presidentes dos Estados Unidos perderam no voto popular (tiveram menos votos do que o concorrente), mas mesmo assim foram eleitos, pelo fato da eleição não ser direta. São eles: John Quincy Adams (1824), Rutherford B. Hayes (1876), Benjamin Harrison (1888), George W. Bush (2000) e o próprio Donald J. Trump (2016).

Portanto, não cabe aos Estados Unidos dar lição de moral e exigir eleições diretas dos demais países do mundo.

Fraudes no voto no papel:

Os Estados Unidos, em matéria de urnas, estão na Idade da Pedra Lascada. Precisam aprender com o Brasil, que é vanguarda em urnas eletrônicas, com todas as vantagens inerentes e nenhuma desvantagem, não obstante o mugido do gado bolsonarista. Até o Presidente Trump elogiou o sistema eleitoral brasileiro.

Já que os bolsonaristas gostam de falar (sem nenhuma evidência e de forma irresponsável e criminosa) que existem fraudes nas urnas eletrônicas, o Presidente Trump, quando foi derrotado para o Joe Biden, em 2020, alegou, também sem prova e de forma irresponsável e criminosa, que houve fraudes nas eleições dos Estados Unidos, justamente pelo fato do voto ser de papel. Portanto, voto no papel não é garantia de ausência de fraudes.

Lá não existe Justiça Eleitoral nem crime eleitoral:

Por incrível que pareça, nos Estados Unidos não existe Justiça Eleitoral, chamada “Justiça Especializada” e nem existem crimes eleitorais ou Código Eleitoral. Essa é mais uma coisa que os Estados Unidos precisam aprender com o Brasil.

Lá a coisa funcionam como a “casa da Mãe-Joana”, cada um faz o que quer e os adversários políticos precisam correr aos tribunais de Justiça Comum para tentar reverter alguma irregularidade ou fraude praticada pelo outro lado.

Também nisso os Estados Unidos estão na Idade da Pedra Lascada.

Donald Trump oferece compra de votos em rede nacional:

Como não existe Justiça Eleitoral e nem crimes eleitorais nos Estados Unidos, ontem, dia 09/09/2026, em uma convenção improvisada do Partido Republicano (partido do Presidente Donald Trump), na cidade de Dallas, Texas, Donald Trump ofereceu comprar os votos do povo americano.

Ele ofereceu um vale de 5.000 US dólares para cada adulto que vive nos Estados Unidos, se o Partido Republicano vencer as eleições de novembro, chamadas de midterm (meio de mandato). Descaradamente! E não será punido, porque não existe Justiça Eleitoral nos Estados Unidos.

Elon Musk também comprou votos em cadeia nacional:

Antes, nas últimas eleições presidenciais, de 2024, quando Trump foi eleito, o cupincha dele Elon Musk, homem mais rico do mundo, ofereceu pagar 100 dólares (valor variável por Estado) para quem se filiasse ao Partido e mais o sorteio de 1.000.000,00 (um milhão de US dólares) por dia, até o dia da eleição, para aqueles que tivessem assinado. Elon Musk também não foi punido, porque nos Estados Unidos não existe Justiça Eleitoral nem crimes eleitorais.

Estados Unidos são modelo para quê e para quem? Não para mim.

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Comentários (2)

Anônimo
Anônimo
11/09/2026 09:05

Excelente análise!

Benício
Benício
11/09/2026 15:55

Obrigado.👊