Alerta

Juiz Ladrão: maldição da Lava Jato?

Comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro, a Lava Jato é um escândalo judicial que envergonha a justiça brasileira

João Mazine Por João Mazine, em 17/12/2025 05:16
Juiz Ladrão: maldição da Lava Jato?
A Lava Jato trouxe a públicos alguns grandes escândalos, como o Petrolão e expôs mais de uma centena de políticos. No final, a corrupção estava na justiça e no ministŕerio público

Quando assumiu a presidência, Jair Bolsonaro desenvolveu esforços para desmontar a Polícia Federal e encerrar a Lava Jato. O desmonte da PF era mais fácil, pois estava em seu poder nomear o Ministro da Justiça, a quem a PF está subordinada. Já a Lava Jato era mais complicado, pois envolvia a Justiça Federal e o MPF (Ministério Público Federal). Portanto, fora do seu poder direto.

Mas, nada que alguns ajustes não resolvessem. Ele nomeou o chefe da PGR (Procuradoria Geral da República), que comandava o MPF. Em seguida, nomeou o ex-juiz Sérgio Moro como Ministro da Justiça. Assim, manietada a PF, retirado o juiz que era o garoto propaganda da Lava Jato e controlado o MPF, a Lava Jato morreu.

Nada disto é segredo, pois foram manobras publicadas no Diário Oficial e declaradas pelo então presidente.

Mas, já na época, havia muita gente denunciando os métodos criminosos que Moro e Dallagnol vinham usando para condenar culpados e inocentes: constrangimento ilegal, chantagem, corrupção ativa e passiva, gravações clandestinas, conluio com alguns jornalistas.

Apurações do CNJ e STF

As investigações dos últimos anos têm revelado as entranhas putrefactas da Lava Jato. Ela não se fez apenas com uma dupla de corruptos que tinham Moro e Dallagnol no comando. Ao lado de Dallagnol havia um grupo de procuradores também corruptos. Ao lado de Moro, havia magistrados no TRF (Tribunal Regional Federal) que também eram corruptos, ou estavam manietados por chantagens de Moro.

A corrupção atingiu também juízes fora do Paraná, como o Rio de Janeiro, onde o Juiz Bretas dava seguimento às linhas tortas de Moro.

Festa da Cueca

Moro prendia pessoas arbitrariamente e depois negociava a soltura em troca de favores. Um caso já bem conhecido é o de Tony Garcia, transformado em agente secreto de Moro. Ele fazia inclusive filmagens e gravações ilegais a pedido de Moro.

Outro caso famoso está ganhando agora as manchetes: a famosa festa da cueca. Organizada por Moro, por intermédio de empresas (algumas chantageadas por ele), a festa reunia desembargadores do TRF em hotéis de luxo, com prostitutas jovens à disposição. Tudo era filmado e entregue a Moro, que usava estas gravações para obrigar os desembargadores a confirmarem suas condenações.

Juízes, Juízas, Desembargadores

Conforme avançam as investigações presididas pelo STF e pelo CNJ, o escândalo vai se mostrando cada vez mais escabroso. A Juíza Gabriela Hardt, que trabalhava em parceria com Moro, condenou Lula no caso do Sítio de Atibaia. No entanto, a sentença foi anulada pelo TRF, pois se tratava de plágio de outra sentença exarada por Moro. Além de ser cópia, a sentença tinha erros imperdoáveis, como pessoas duplicadas, como se fossem pessoas diferentes e referência a fatos que não tinham qualquer relação com o processo.

Passados anos, os processos comandados por Moro e Gabriela Hardt cairam nas mãos do juiz José Eduardo Appio. Esta semana, este juiz foi filmado furtando garrafas de champanhe num supermercado.

Leia matérias aqui, e aqui.

Esta parece ser a maldição da Lava Jato: juízes e desembargadores desonestos, dentro e fora dos processos.

 
 

 

 

0
145
0

Comentários (0)

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!