Alerta

Livre Arbítrio ou Algoritmo?

Se você lê notícias que as redes sociais lhe trazem, é provável que esteja se desinformando cada dia mais.

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 17/11/2025 14:40
Livre Arbítrio ou Algoritmo?
As redes sociais são comandadas por algoritmos. Se você lê passivamente as notícias que ela lhe traz, você provavelmente está sendo manipulado. Leia, e saiba por quê.

 

O Livre Arbítrio é o fundamento do pecado e do crime. Se a pessoa não sabe — ou não pode — escolher entre o certo e errado, não há crime nem pecado. Mas, para distinguir entre o certo e o errado, a pessoa tem que ter conhecimento e consciência. Sem isto, não há escolha responsável. É aí que entra o grande limiar que a humanidade está atravessando: o domínio dos algoritmos.

Mas, o que significa esta palavra tão falada ultimamente, mas tão pouco entendida?

História

Há mais de mil anos, na cidade de Bagdá, antiga Pérsia, viveu um sábio chamado Al-Khwarismi. Hoje, Bagdá está no Iraque, e a Pérsia se chama Irã. Mas isto não importa para a nossa história. O que importa é saber que, naquela época, árabes e persas formavam a civilização mais avançada. Eram os maiorais em matemática, medicina, astronomia, química. Tinham as melhores bibliotecas, as melhores escolas, e os maiores sábios.

Al-Khwarismi vivia neste ambiente de cultura e pesquisa, quando escreveu um livro ensinando os métodos para resolver equações de primeiro e de segundo grau. Por exemplo, quanto vale x, na expressão 2x + 3 = 7?

Esta forma de expressar e resolver um problema, ele chamou de álgebra. Ele adotou as letras para representar incógnitas (números desconhecidos) e os numerais arábicos, para representar valores conhecidos. Até então, os europeus usavam numerais romanos ou letras gregas para representar números. No entanto, é praticamente impossível calcular com eles.
Quando os livros de Al-Khwarismi foram traduzidos para o latim, seu nome virou Algoritmi. Devido a isto, seu método para resolver as equações, e fazer outros cálculos, ficou conhecido como algoritmo, cujo significado é uma sequência de passos finitos para resolver um problema. São aquelas regras que todos sabem, para subtrair um número do outro, somar dois números ou tirar uma raiz quadrada.

Algoritmo na computação

Os programas de computador são coleções de algoritmos, aplicados em série ou em paralelo. É como uma receita de bolo que seguimos na cozinha. Seguimos o passo a passo, e o bolo fica pronto.

Quando todo mundo começou a usar a Internet, a fazer comprar na Internet, foram criados os algoritmos para fazer as pessoas comprarem mais. Ou comprar um produto determinado, ou de uma loja determinada. Eram algoritmos vendedores.
O que eles fazem é simples: quando você navega na Internet e visita uma loja de sapatos, ele começa a lhe apresentar páginas de lojas que vendem sapatos. De todas as lojas? Não! Das lojas que pagam ao dono do algoritmo. Por exemplo, a Google.

Você é a mercadoria

Vender sapato deu muito dinheiro para as big-techies. Mas, por que parar aí? Elas sabem tudo sobre você: sua idade, seu sexo, sua renda, seu horário de trabalho, as doenças você sofre, sua religião, seu estado civil, seus medos, suas dívidas, seus gastos, seu grau de estudo. Elas sabem tudo!

Quando perceberam isto, o próximo passo foi transformar você em mercadoria. A partir deste momento, já não é tão importante para ela lhe vender sapato. É mais lucrativo ela vender sua ficha para quem quiser comprar. É aí que entram os políticos, as igrejas, os mafiosos, os traficantes, os pedófilos, os espiões estrangeiros, os criminosos de toda ordem. Elas vendem você, para quem quiser comprar.

Agora você já sabe por que empresas como X, Facebook e Google são as empresas mais ricas da história da humanidade. Porque estão vendendo uma mercadoria abundante e barata. Abundante, porque é toda a população do Planeta. Barata, porque cada um de nós lhes dá tudo de graça. Entregamos tudo que nos pedem. 

As redes sociais e os algoritmos

Instagram é de graça, certo? Facebook é de graça, certo? X é de graça, gmail é de graça, TikTok é de graça… Pois é. É de graça, porque é o meio que essas empresas têm de coletar duas informações. É aí que entram os mais modernos algoritmos, criados com a orientação de psicólogos e cientistas sociais, e testado em bilhões de cenários.
O primeiro papel destes algoritmos é decidir o que você verá na sua tela. Se você vai ler sobre a guerra da Ucrânia, o jogo do Atlético ou a viagem dos chineses à lua, quem decide é o algoritmo e quem os compra, não é você.

Por exemplo, se o político pagar, o algoritmo vai lhe apresentar todas as notícias boas sobre ele, e vai esconder todas as notícias ruins. Em poucos dias você pensará que ele é um santo. E fará o contrário também: apresentará todas as notícias ruins sobre o adversário, e esconderá todas as notícias boas sobre ele.

É por isto que você tende a ver mais e mais notícias que confirmam o que você pensa, e vê menos e menos notícias que vão contra o que você pensa. 

Você navega nas redes sociais, pensa que está se informando, mas, na verdade, está sendo deformado pelas manipulações dos algoritmos. Você só toma conhecimento do que ele quer que você conheça. Sob o ângulo que ele quer. Quando isto acontece, você não tem livre arbítrio; você não faz escolhas; você escolhe o que o algoritmo quer que você escolha. 

Busca Ativa

A única forma de escapar da tirania do algoritmo e seus robôs é você fazer busca ativa. Ou seja, não ficar lendo o que lhe chega automaticamente nas redes sócias, mas procurar. Escolher quais jornais, quais blogs, quais canais de televisão você vai ler ou assistir. Variar. Ler um, ler outro. Não ter medo de opiniões divergentes. Valorizar e ter coragem de analisar ideias que são diferentes das suas. Pensar. Usar o raciocínio crítico. Ler livros. Conversar com pessoas mais maduras. 

Se você continuar apenas lendo o que os algoritmos trazem à tela do seu celular ou seu computador, você estará abdicando de qualquer escolha consciente. Você não poderá se gabar de quer escolhido. Muito menos, com base nos fatos. A escolha terá sido dos algoritmos; os fatos, terá sido os que ele escolheu, ou inventou: as fake news.

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