Alerta

Vereadores, prefeito e vice acusados de desviaram R$ 59 milhões

Sustentar o legislativo é custo necessário numa democracia, mas sustentar seus ladrões é insustentável

Fernando Cabral Por Fernando Cabral, em 23/12/2025 09:37
Vereadores, prefeito e vice acusados de desviaram R$ 59 milhões
Historicamente, os grandes desvios de dinheiro público acontecem no poder executivo. No entanto, de décadas para cá, muiitos ratos se mudaram para o legislativo

 

No executivo, os mecanismos atuais de desvio de dinheiro são bem conhecidos. Eles começam com a preferências pelas tristemente famosas atas de preço, avançam pelo superfaturamento e terminam nos serviços não entregues. Um exemplo disto, em bom Despacho, reúne os três golpes. É o tal asfalto ecológico. Ele reúne os três golpes num só.

1) O prefeito entrou numa famigerada ata de registro de preço -- indício um

2) O serviço foi superfaturado (sabão e cal a preço de asfalto) -- indício dois

3) O serviço não foi entregue (não existe asfalto ecológico) -- indício três.

Mas, embora o asfalto ecológico não exista, o prefeito pagou R$ 3 milhões. Dinheiro público que foi para o ralo.

O papel dos vereadores é fiscalizar estas coisas, mas quando são cooptados pelo prefeito, eles assobiam, olham para o outro lado, a roubalheira continua. Mas, no caso destes vereadores de Turilândia, no Maranhão, parece que os vereadores não se limitaram a olhar para o outro lado e assobiar. Eles meteram a mão na massa e roubaram também. E não foi pouco. Segundo o Ministério Público, a roubalheira passa de R$ 59 milhões.

Prisões

Alguns já foram presos. Mas, o prefeito, que parece ser o chefão da quadrilha, encontra-se foragido. Veja aqui a notícia no G1.

O Legislativo na roubalheira

Quando estourou o escândalo do mensalão, Lula pagou o pato na imprensa. No entanto, os verdadeiros culpados, mesmo condenados, não apareceram. Ou apareceram muito pouco. São os deputados de vários partidos. O mensalão era dinheiro pago a deputados corruptos mediante desvios do orçamento. Havia 38 acusados, dos quais, 25 foram condenados. Entre eles, Roberto Jefferson (PTB), Valdemar da Costa Neto (PR, agora do PL), Pedro Corrêa (PP), Pedro Henry (PP).

Roberto Jefferson foi preso na época, e foi preso agora porque atirou em policiais federais. Valdemar da Costa Neto é o líder do PL. Ele defendeu a candidatura de Jair Bolsonaro, e agora defende as candidaturas

de Michele e de Flávio Bolsonaro.

Semana passada a polícia encontrou R$ 430 sem origem na casa do deputado Sóstenes Guimarães (PL-RJ). 

Enfim, no passado, como agora, o legislativo tem pecado. Algumas vezes, apenas por fechar os olhos e olhar para o outro lado. Mas, muitas vezes, por participar e até liderar a roubalheira.

Embora a imprensa e o povo preste mais atenção no executivo, os desvios lá só acontecem porque há desvios de cá também. Ou, pelo menos, muita omissão conveniente.

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